CURTIS HANSON COM ISMAIL XAVIER E
ADHEMAR OLIVEIRA, EM SAO PAULO,
1998 (foto de rô caetano, em péssima reprodução!!!)

+ VIZEU (TV) + DOIS FILMES ARGENTINOS (TANGO E TUNEL)

+ OS CANDELABROS DE FELLINI (CASANOVA) E OS
URINOIS DE CERÂMICA, DE VISCONTI (O LEOPARDO)

+ FEST DO RIO HOMENAGEIA CACÁ DIEGUES
COM PREMIO FIPRESCI E EXIBE A GRANDE CIDADE
+ BIENAL DO CINEMA INDIGENA COMEÇA NESTA SEXTA-FEIRA

****DOIS FILMES ARGENTINOS

+ OS CANDELABROS DE
FELLINI (CASANOVA) E OS

URINOIS DE CERÂMICA,
DE VISCONTI (O LEOPARDO)

+ “O ÚLTIMO TANGO” (FILME IMPERDÍVEL!!!)
E “NO FIM DO TUNEL” (DUAS PRODUÇÕES ARGENTINAS FOTOGRAFADAS
PELO MESTRE FELIX “Chango” MONTI)

+ BELAS FAMILIAS + OS CANDELABROS DE FELLINI + OS URINOIS DE VISCONTI
+ BIENAL DO CINEMA INDÍGENA

+ SEMANA DA CRIANÇA: FESTIVAL ARUANDINHA, EM JOÃO PESSOA

+ MOSTRA MICHEL OCELLOT NO
CCBB SP (DE 12 a 16 DE OUTUBRO)

+ MOSTRA CINEFOOT

NO CANAL BRASIL
+ CENTENÁRIO DE

CALLADO (EXPÔ E
FILMES NO RIO)

+ LEIAM, HOJE, EM O GLOBO, COLUNA DE
FLAVIA OLIVEIRA, SOBRE TRÊS MULHERES NEGRAS ELEITAS MISS BRASIL (Aliás, uma, Vera, ficou em segundo lugar)

+ FEST DO RIO 2016 (PREMIERE BRASIL)
– Vejam, em O Globo – 04-10-16, página inteira de André Miranda sobre o documentário CURUMIM, de Marcos Prado **** Festival do Rio cruzará a ponte e terá extensão na Reserva Cultural de Niterói. Belo complexo cinematográfico-livreiro-gastronômico criado por Oscar Niemeyer. (Em 23-09-16, o suplemento Niterói, de
O Globo, publicou ótima matéria sobre as cinco salas programadas por Jean-Thomas Bernardiní na ex-capital fluminense. Confiram).

+ A PERDA DE CARLOS ALBERTO VIZEU (TV) + CURTIS HANSON + BILHETERIAS

+ CORINTHIANS + PRÊMIO BRASIL + PREMIO ALMANAQUE: CARELLI+ COMOLLI

+ OS CANDELABROS
DE FEDERICO FELLINI:
Anunciei aos quatro ventos que ia assistir (no começo da noite de ontem, 04-10-16), no CCBB-SP, ao debate de Lucrécia Martel (O Pântano, A Menina Santa, A Mulher Sem Cabeça e “Zama”, em finalização). Atividade da Mostra MULHERES EM CENA, que termina neste final de semana (com mais filmes e debate). Primeiro fui ver a comédia BELAS FAMILIAS, de Rapeneau, no CineSesc (não perco filme com Mathieu Amalric por nada deste mundo! E desta vez, na companhia de uma das mais belas setentonas do mundo, Nicole Garcia, do fascinante renaisiano André Dussolier, e da atriz-modelo Marina Vacth, que conheci no “Jovem e Bela”, belíssima!, de Ozon). Como o filme dura quase duas horas, saí correndo para re-ver CASANOVA, de Fellini, na Mostra Cinema & Arquitetura, no Espaço Augusta. Pelo meu plano, eu assistiria (já vi o filme outras vezes) duas das quase três horas do onirismo veneziano-alemão de Fellini e correria para o CCBB, para o debate com Lucrécia. Só que não consegui largar o delírio do mestre pensinsular. Havia um ótimo público na sala, a cópia maravilhosa, Zanin vidrado (para ele, Fellini só faz obra-prima!!!) e resolvi ficar até o fim. O Casanova mais anti-erótico do mundo é uma viagem estranha e de beleza estonteante. O que são aqueles candelabros dresdenianos sendo apagados???
(Só me lembro de outra sequência tão original e impressionante, no campo de hábitos de tempos passados: os urinois de cerâmica, utilizados pelos personagens de Visconti, na sequência do baile, em O Leopardo)… Resumindo: não fui ao CCBB.
+ Mostra Cinema e Arquitetura,
no Espaço Augusta-SP. Exibição de CASANOVA (DE FELLINI), numa Veneza construída nos estúdios da Cinecittá (Roma). Tenho um carinho especial por esta mostra (ou uma côngenere dela, no mesmo Espaço Augusta) pois me permitiu conhecer, uns 20 anos atrás, um dos maiores filmes já feitos sobre as implicâncias dos vorazes processos da especulação imobiliária (tema caro ao novo cinema pernambucano): AS MÃOS SOBRE A CIDADE, de Francesco Rosi (um título obrigatório).

+ CINEMA INDÍGENA
EM RODAS DE DEBATE:
Bienal do Cinema Indígena, em São Paulo, no
CCSP VERGUEIRO e EM NOVE CEUs.
Desta sexta-feira, 7, a 12 de outubro
Organização de Ailton Krenak
Com a exibição de 57 filmes + rodas
de conversa + coral de crianças guarani
Homenageados:
. Vicent Carelli (Vídeo nas Aldeias)
. Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura
. João Augusto Fortes (ambientalista)

****PERDAS: li, hoje, em O Globo, anúncio fúnebre publicado por Boni (José Bonifácio de Oliveira) que registra a dor da perda de Carlos Alberto Vizeu, de 70 anos, profissional que dedicou sua vida à TV brasileira. Não o conheci. Mas conversando com Lima Duarte, no Fest Aruanda, ano passado, comentei com ele que vira, nos anos 1980, um documentário (narrado por ele, Lima), que contava a história da chegada da TV ao Brasil. Como eu editava o caderno cultural do Correio Braziliense (jornal da cadeia Associada, fundada por Chatô, que trouxe a TV para o Brasil, em 1950), ganhei uma fita VHS (do referido doc). Lima Duarte me lembrou que tratava-se de uma realização de Carlos Alberto VIZEU. Ao regressar a SP, pedi a Paulo Mendonça, diretor do Canal Brasil, o contato com Vizeu. E mandei um e-mail para ele, perguntando se tinha uma cópia em DVD do referido documentário narrado por Lima Duarte. Ele me disse: tenho material mais completo, ou seja, série sobre a História da TV Brasileira, exibida pelo Canal Brasil. E gentilmente me mandou uma cópia. E o Canal Brasil, que chorou recentemente a morte de Darcy Burger, perde agora outro grande colaborador. (E registro, tardiamente, a morte de Curtis Hanson, grande roteirista e cineasta — “Los Angeles Confidencial” — que ministrou workshop no Brasil (no Espaço Augusta) e participou de um debate (no mesmo local)… Lembro-me disto, porque fiz uma bela foto dele com Ismail Xavier e Adhemar Oliveira, que está perdida em alguma de minhas gavetas)

+ “NO FIM DO TUNEL”,
ESTREIA DE HOJE,
NOS NOSSOS CINEMAS,,
(DIREÇÃO DE RODRIGO GRANDE),
recebeu cotações variadas de nosos três maiores jornais: 5 estrelas na Folha (Inácio Araújo), três no Estadão (Luiz Zanin) e bonequinho sentado (ou dormindo?), em O Globo (Daniel Schenker). Na última segunda-feira, espectadores de sete Espaços Itaú de Cinema (SP, Rio, BSB, Jampa, Porto Alegre, Floripa e Curitiba), enviaram perguntas a Rodrigo Grande, em sua primeira visita a São Paulo. “Como todo argentino” — brincou ele — “eu conhecia Floripa e Rio, mas esta é minha primeira visita a São Paulo. Como vocês devem saber, toda criança que nasce na Argentina sonha um dia visitar as praias de Floripa. Não foi diferente comigo”). Durante o debate, Rodrigo, de 41 anos, falou de seus atores (os argentinos Federico Luppi, Leo Sbaraglia, Pablo Echarri, este também co-produtor do filme, e da espanhola Clara Lago), de seu fotógrafo, o craque FELIX MONTI, responsável pelas imagens dos dois OSCAR agentinos: A História Oficial e O Segredo dos Seus Olhos), de suas influências (mais Tarantino, que Hitchcock, que não viu “O Colecionador”, de William Wyler, nem — ninguém acreditou! — PLATA QUEMADA), dos atores com quem gostaria de trabalhar em projetos futuros (só disse um nome: o do espanhol JAVIER BARDEM, e nada disse sobre Ricardo Darín), explicou a construção de seu intrincado roteiro (com muitas reviravoltas e que ele escreveu sozinho), falou do desempenho do filme (foi bem na Argentina, Chile e Uruguai, mas não aconteceu no país que o coproduziu, a Espanha, pois “foi lançado em agosto, mês de férias”), da excelente direção de arte (ampla casa semi-abandonada com imenso terraço e jardim + um longo túnel constituem as principais locações do filme), do humor negro que permeia toda a narrativa (o público paulistano riu bastante), da mistura de gêneros (suspense, humor negro, história de amor), de que fim teria levado o perro Casimiro (que começa o filme entrevado como seu dono, Joaquín, o paraplégico personagem interpretado por Leo Sbaraglia, de Plata Quemada e Relatos Selvagens), do orçamento consumido no filme, uma super-produção pelos padrões latino-americanos, se gostaria de trabalhar em Hollywood (“Claro!”, respondeu)… E ouviu elogios a duas sequências especiais: a que soma em eletrizante (e erótica) montagem a dança-strip-tease de Bertha (Clara Lago) a várias visões do protagonista (o cadeirante sob cuja casa será cavado um túnel para roubar o Banco da República) e o primeiro beijo do casal (a bailarina e o paraplégico, com os corpos dos dois na escuridão e a luz de Felix Monti concentrando-se nos cabelos da bela e sedutora inquilina). Rodrigo contou que tem vários roteiros prontos na gaveta, mas nada adiantou sobre seu próximo projeto.

+ AMANHÃ
SEXTA-FEIRA COMEÇA,
NO CANAL BRASIL,
COM APRESENTACAO
DE RAÍ, MOSTRA CINEFOOT
COM 12 FILMES DE FUTEBOL:

1. Meninos de Quichute, de Luca Amberg
2. Geraldinos, Pedro Asbeg…
3. Garrincha Alegria do Povo, JPAndrade
4. Bahêa, Minha Vida (dois baianos)
5. Payssandu 100 Anos de Paixão
6. Fla X Flu – 40 Minutos Antes do Nada
7. O Dia do Galo (MG)
8. Campo de Jogo, de Eryk Rocha
9. Mário Filho, o Criador de Multidões…
10. Maracanã, o Filme (produção uruguaia)
11. Passe Livre (Afonsinho), Oswaldo Caldeira
12. O Futebol, de Sérgio Oskman

+ PREMIO ALMANAQUE
O Prêmio Almanaque número 160 (Ano 14), deste mês de outubro de 2016, vai para o cineasta Vincent Carelli (criador do Projeto Vídeo nas Aldeias) por seus filmes, os épicos “Corumbiara” e “Martírio” (duas primeiras partes de trilogia que se complementará com “Adeus, Capitão”). Como volta seu olhar-câmara aos povos espoliados desde o “descobrimento” do Brasil, há quem o veja como “cineasta de tema”. Ou seja, como realizador de filmes que não se preocupam com sua manufatura-escritura (o juri do Festival de Brasília o viu por este prisma). E sim (e apenas), com suas mensagens e denúncias. Visão estreita. “Corumbiara” começa em 1985, numa gleba, em Rondônia, onde houve um massacre de índios. Carelli filmou aquele momento conflagrado. Mas o massacre caiu no esquecimento institucional. Dez anos depois, ele regressou ao local (com o indigenista Marcelo Santos). Com sua câmara, claro. E saiu em busca insana por um índio isolado. Aproveitando, claro, para mostrar que a matança dos povos originários seguia implacável. Sem maniqueismos, “Corumbiara” abre espaço, também, para a autocrítica das próprias estratégias indigenistas (ofício que ele, Carelli, também abraça). Com “Martírio”, o cineasta registra a tragédia cotidiana do povo Guarani-Kaiowá. Se os povos da grande Amazônia e da Amazônia Xinguana têm territórios para viver, o mesmo não se dá com os Guarani-Kaiowá. Estes sobrevivem em estado da Federação que é um dos epicentros do agronegócio (Mato Grosso do Sul). E precisam enfrentar a fúria diária de fazendeiros e parlamentares unidos sob a bandeira da UDR (União Democrática Ruralista). Ao longo de 2h40, Carelli passa ao largo dos “filmes de índios” idealizados, aqueles que mostram povos integrados à Natureza, caçando, banhando-se ou praticando rituais sagrados. O que vemos é uma espécie de “western” caboclo. Forças poderosas (governador, senadores, deputados, fazendeiros e empresas de segurança) unidas para exterminar os índios e ampliar seus agro-negócios (e eternos poderes). Nunca, em nenhum filme brasileiro, se viu o Parlamento (ou parte significativa dele) tão exposto quanto em “Martírio”. E mais: o filme dessacraliza o Marechal Cândido Rondon, mostra índios arregimentados pelo Governo Militar para ajudar em práticas de tortura, faz recuo histórico até a Guerra do Paraguai, mergulha no ciclo econômico da Erva-Mate para que conheçamos a origem de tão sanguinária luta pela posse da terra, mostra a resistência da língua guarani (ainda não exterminada) e a arrebatadora performance de Ailton Krenak (cobrindo seu rosto com tinta preta) em pleno processo Constituinte, em 1988. Carelli se coloca em cena como diretor e indigenista e — o que faz de “Martírio” um clássico de nascença — apresenta imagens feitas pelos próprios índios municiados (pelo Projeto Vídeo nas Aldeias) com pequenas câmaras. Ouvíamos, antes, os índios dizerem que pistoleiros e empresas de segurança de fazendeiros atiravam neles para arrancá-los de seus pequenos nacos de terras comunitárias. Mas nada víamos. Em “Martírio”, assistimos ao índios gritando-e-filmando sob o pipocar das armas a serviço da UDR. Um épico que coloca Carelli e o projeto Vídeo nas Aldeias na linha de frente do cinema documental brasileiro. A partir da próxima quarta-feira, Vincent Carelli vai receber (merecidíssima) homenagem da Bienal do Cinema Indígena, comandada por Ailton Krenak.

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