*******FEST BRASILIA 2016 – ANO 49 — Depois do imenso sucesso de masterclass do diretor de fotografia Lauro Escorel, que foi assistida por gente sentada no chão, o Festival de Brasília transferiu a masterclass do cineasta KLEBER MENDONÇA (na tarde desta segunda-feira, 26-09-16) para o maior dos auditórios do Kubitscheck Plaza. E o imenso espaço ficou lotado. Durante três horas, o diretor pernambucano falou de AQUARIUS, que está se aproximando dos 300 mil espectadores e já chegou a 60 países. O filme estreia, esta semana, em 60 cinemas da França e Bélgica. O realizador e roteirista de AQUARIUS analisou, tecnicamente, os processos de composição de planos e de algumas sequências que compõem seu filme e deu destaque especial ao som. “Como o filme é muito dialogado” — explicou — “houve momentos em que senti a necessidade de construir sequência sem falas, apenas com sons ambientes, música e ruídos potencializados na mixagem”. No telão, Kleber mostrou sequência em que um grupo de pessoas chega, à noite, ao prédio de Clara (Sonia Braga), o Aquarius, para incomodá-la. Colocam música barulhenta, gritam, aprontam e realizam uma bacanal. Clara, de 65 anos, tenta neutralizar o ensurdecedor som ao redor de seu apartamento ouvindo Queen em alto volume. Como não consegue abafar o barulho fabricado pelo grupo, ela vai até lá ver o que está acontecendo e depara-se com a confusão de corpos que fazem sexo. Antes, Kleber lembrara que a Censura do Ministério da Justiça classificara o filme para maiores de 18 anos, argumentando que, nele, havia sexo explícito. E que pessoas protestaram, na internet, dizendo que ele havia feito mais um filme brasileiro ultra-sexualizado. O cineasta recorreu à minutagem para mostrar o quanto o sexo é um componente integrado à narrativa, de forma realista e dura, mas brevíssima e sem apelação: “das 2h25′ de duração do filme, apenas 45 SEGUNDOS mostram cenas de sexo (nas lembranças da septuagenária Tia Lúcia e no rapidíssimo registro da orgia no apartamento do andar de cima). Há, claro, conteúdo erótico no encontro da personagem com o garoto de programa que ela chama a seu apartamento e num casal que faz sexo na praia, mas é visto de longe e com pouca luz. Portanto, há mais sexo na imaginação do público, que no filme. Kleber respondeu a mais de 30 questões colocadas por estudantes (a maioria do presentes), cineastas, atores e jornalistas. A professora e cineasta Tânia Montoro, da UnB, moderou o produtivo encontro. Sobre os protestos do MOVIMENTO CINEMA CONTRA O GOLPE, que todas as noites, no Cine Brasilia, entoa slogans como FORA TEMER, VIVER SEM TEMER e DIRETAS, JÁ, ele ponderou: “temos que usar nossa força para avançar e elaborar um projeto cultural que nos permita deter as forças retrógradas”. Caso contrário, “daqui a dois anos, que filmes teremos para mostrar e debater?”

Enviado do Ipad de Rosário

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