********FEST BRASILIA 2016 – ANO 49 — A Fundação Ford promoveu, em parceria com a Secretaria de Cultura do DF, dois debates no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. No primeiro, realizadores negros, com moderação de Jeferson De, debateram o Cinema Black brasileiro. No segundo, Dainara Tukano moderou encontro, precedido por roda de cantos, sobre o Cinema Indígena. Sentaram-se à mesa as realizadoras Graci Kaiowa e Patrícia Guajajara, e os realizadores Kamikia Kisedje, Takumã Kuikuro e Edvan Guajajara. Na plateia estava Vicent Carelli, do Vídeo nas Aldeias, projeto que prestou grandes serviços à preparação de jovens cineastas indígenas. Representantes do Maranhão relataram suas experiências no grupo audiovisual Coisas de Índio. A pergunta mobilizadora do encontro (Cinema Indígena, Dinâmicas Colaborativas e Protagonismo) indagou: “Que políticas públicas são necessárias para alavancar a reconhecida emergência de um cinema indígena no Brasil?”. ******Como há cinco filmes de temática indígena na programação do Festival — os longas MARTIRIO (PE) e ANTES O TEMPO NÃO ACABAVA (AM), e o curta ABIGAIL (RJ) na competição, e TAEGO ÃWA (GO) e A FESTA DOS ENCANTADOS (DF), em mostras paralelas — os debates seguiram calorosos. Na manhã do domingo, 25 de setembro, os diretores do longa amazonense ANTES O TEMPO NÃO ACABAVA, Sérgio Andrade e Fábio Baldo, enfrentaram duros questionamentos de antropólogas (caso de Patrícia de Mendonça Rodrigues e Maria Helena Ortola) e de procuradora da Funai. As três debatedoras questionaram o filme por, em momento de retrocesso político, mostrarem abordagem oposta à dos filmes MARTIRIO E TAEGO ÃWA. Ou seja, “ligar o universo indígena ao arcaísmo e ao atraso, enquanto a cidade é vista como sinônimo de modernidade”. E mais: “temas complexos como espiritualidade, infanticídio e homossexualidade teriam recebido tratamento superficial”. Disseram, ainda, que o filme é “integracionista” (defende a integração dos povos indígenas ao mundo e hegemonia brancos). Os dois realizadores lembraram que haviam feito um filme de ficção e que, embora brancos, fizeram questão de entregar o papel de protagonista absoluto do longa amazonense ao índio Anderson Tikuna. Que estava na mesa e defendeu o filme. E reforçaram o argumento de que ANTES O TEMPO NÃO ACABAVA é um filme preocupado com índios que vivem no espaço urbano (no caso, a cidade de Manaus).

Enviado via iPad de Rô Caetano

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