*****FEST BRASILIA 2016 – ANO 49 — Dois filmes da mostra competitiva mobilizaram o público que tem lotado o Cine Brasília todas as noites.O documentário MARTÍRIO, de Vicent Carelli, épico sobre a luta dos índios Guarani-Kaiowá, foi aplaudido calorosa e longamente (e olha que dura quase 3 horas). O próprio Carelli se confessava ontem, depois de debate sobre o CINEMA INDÍGENA, promovido pela Fundação Ford em parceria com a Secretaria de Cultura do DF, “muito emocionado” com a calorosa recepçao ao filme. Recebeu, também críticas muito boas (destaque para Ricardo Daehn, do Correio Braziliense). O outro filme muito bem recebido pelo público foi o mineiro A CIDADE ONDE ENVELHEÇO, de Marília Rocha. A cineasta não veio a Brasília pois acaba de ser mãe. Mas sua equipe, incluindo as atrizes portuguesas Francisca Manuel e Elisabete Francisca, a produtora Luana Melgaço e a co-roteirista Thais Fujinaga (sem duvida, a equipe mais feminina entre os competidores do Festival) teve motivos para fornecer à realizadora relato de uma sessão das mais felizes. O público se divertiu e se encantou com
o que viu. Em especial com as observaçoes da portuguesa Francisca, personagem de Francisa Manuel. Ela vive em BH, mas pretende regressar a Portugal. Em conversas com o namorado (Paulo Nazareth) ou com a amiga Tereza (Elisabete Francisca), lusitana recém-chegada à capital mineira, Francisca tece comentários sobre comportamentos recorrentes entre os brasileiros: são folgados, pedem cigarros a qualquer um que lhes passe à frente, colocam, em reformas, azulejos diferentes dos que já estão afixados ao cômodo, etc. O público recebeu a ironia lusitana com muito bom humor, simpatia e aplausos.*****Nas mostras paralelas, a sessão mais vibrante foi a do documentário ENTRE OS HOMENS DE BEM, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros. O longa acompanha os embates do deputado federal Jean Wyllys, porta-voz da causa LGTB, contra forças retrógradas no Congresso Nacional. O público aplaudiu várias vezes durante a projeção, em especial os enfrentamentos a parlamentares fundamentalistas como Jair Bolsonaro. Os aplausos, no final da sessão, foram fartos e calorosos. E Jean Wyllys posou para centenas de fotos com pessoas da plateia. Depois, ao lado dos dois cineastas, debateu o filme, com moderação do crítico José Geraldo Couto. Wyllys contou que não deu palpite em nada, que os cineastas filmaram o que (e como) quiseram. “Só pedi que mudassem o título, pois eles queriam “Eu_Jean Wyllys”. Preferi ENTRE HOMENS DE BEM. “Homens de bem” é a denominação auto-atribuída pelos que combatem a causa LGTB em nome dos valores da família tradicional. Para muitos, eles estão mais para homens de BENS.

Enviado via iPad de Rô Caetano

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