********FESTIVAL DE BRASILIA 2016 — ANO 49 — Nenhum festival do país tem cobertura de imprensa similar ao brasiliense. Refiro-me aos jornais da cidade que sediam o Festival. O Correio Braziliense e o Jornal de Brasília dedicam ao evento, que ano que vem terá sua edição número 50, espaço nobre, cobertura detalhada, vistosas chamadas de capa. Não é chamadinha de canto de página não. É chamada sob o título da publicação. O Correio Braziliense publica — além da chamada de capa no espaço mais nobre, capa do seu caderno cultural, o Diversão & Arte — entrevistas com realizadores dos filmes da competição (os que disputam o Trofeu Candango) e dá informações sobre os curtas. E prossegue na página dois e três com muitas informações sobre mostras paralelas, seminários, debates. Ouve espectadores depois das sessões para que falem do Festival ou dos filmes. O Jornal de Brasília, em formato tabloide, também deu bela chamada de capa com foto aberta da multidão que lotou o Cine Brasília na noite inaugural. E vem sequenciando cobertura, com fotos luminosas dos principais filmes. ***Houve um tempo em que a cobertura do CineCeará, feita pelos jornais Diário do Nordeste e O Povo, era também eloquente. Similar à que o Correio Braziliense dá, historicamente, ao Festival de Brasilia. Mas nos últimos anos, a cobertura dos maiores diários de Fortaleza diminuiu significativamente. Para agravar, o Diário do Nordeste não tem mais edição no sábado (condensou o sábado e domingo numa edição só, portanto morna, priorizando comportamento e temas assemelhados). Já a imprensa nacional reduziu brutalmente sua cobertura de festivais. Aliás reduziu drasticamente sua cobertura CULTURAL. Cadernos como a Ilustrada/FSP, o Caderno 2/Estadão e o Segundo Caderno, de O Globo — sem falar no saudoso Caderno B, do finado JB — são hoje meras sombras do que foram. Quem não se lembra das edições de até 28 páginas, feitas por Evaldo Mocarzel, no 2, do Estadão??? Hoje, os cadernos das duas maiores metrópoles do país saem, diariamente, com oito (no máximo dez ou 12) páginas. Na Ilustrada, o Festival de Brasília já ganhou capas históricas. Me lembro de uma, de Silvana Arantes, que anunciava um FESTIVAL VERMELHO (pela grande presença de filmes políticos). Festival sem polêmica, vamos combinar, não mobiliza paixões. Feito este registro, aguardemos, hoje, o novo filme do projeto VIDEO NAS ALDEIAS, comandado pelo franco-brasileiro VINCENT CARELI: MARTIRIO. O realizador do grande (e arrebatador) CORUMBIARA chega ao Fest Brasilia com um filme de 160 minutos. ** E seguem os seminários (com plateias lotadas), os debates e palestras. Hoje, 14h30, o diretor de fotografia Lauro Escorel fala de seu ofício para estudantes e cineastas. HOJE, no final da tarde, Jean-Claude BERNARDET estará no Cine Brasília, assistindo, com o público, ao filme A DESCONSTRUÇÃO DE BERNARDET, de Claudia Priscila & Pedro Marques. No ano do Centenário de Paulo Emilio Salles Gomes, criador do Fest Brasília, será entregue, pela primeira vez, a Medalha Paulo Emilio a personalidades que, como o homenageado, lutaram pelo fortalecimento do cinema brasileiro em seu próprio mercado. O primeiro a recebê-la será o próprio Bernardet, como Paulo Emilio, professor do curso de Cinema da UnB, nos anos 1960, e membro da equipe que criou o mais duradouro dos eventos culturais candangos, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Enviado do Ipad de Rosário

Anúncios