D

DOMINGOS OLIVEIRA: “MELHOR DISC-JÓQUEI”, nesta foto, com Caio Blat, Sophie Charlotte e Glauce Guima + PREMIAÇÃO EM BLOCO AGILIZA FESTA DOS KIKITO + JORGE DENEVI, VERÓNICA PERROTTA + LUCIANA PAES

***PREMIO DE MELHOR “DISC-JÓQUEI” — O juri oficial de Gramado (longa brasileiro) errou pouco, este ano. Mas quando errou, errou feio. Entregar o prêmio de melhor trilha sonora a Domingos de Oliveira foi demais. O próprio cineasta-dramaturgo-escritor-ator ironizou a láurea. “Ganhei o Kikito de melhor disc-jóquei”. Sim, o que ele
fez, em seu delicioso “Barata Ribeiro, 716”, foi selecionar hits musicais do pré-1964 (como “Cuando Calienta el Sol”) e somá-los a hinos socialistas como “Bandera Rossa” e “A Internacional”. Não compôs um acorde que fosse para a banda sonora do filme. Para tornar o erro do júri ainda mais visível, o Festival exibiu em um dos paineis de led (dominantes no palco, em sua bela e ousada noite de entrega de troféus), um sólido depoimento do compositor Antônio Pinto (“Cidade de Deus”). Este sim, um verdadeiro autor de trilhas sonoras brasileiras e internacionais. E Antônio falou da verdadeira missão de um bom trilheiro: compor…Além do Kikito de melhor filme e “melhor disc-jóquei”, “Barata Ribeiro 716” rendeu o Kikito de melhor diretor a Domingos e o de melhor atriz coadjuvante a Glauce Guima, que interpreta uma porra-louca de imensos óculos e cabelo frisado. A atriz que subiu ao palco para pegar o troféu é muito bonita (ao contrário de sua maluquete, que namora homens e mulheres, em especial, neste caso, a bela psicanalista interpretada por Lívia de Bueno).

+ PALCO FEÉRICO (EM LED, COMO NAS FESTAS DAS OLIMPIADAS):

O Festival de Gramado 2016 modificou totalmente — e para melhor — sua festa de premiação. Fez um espetáculo féerico, para encher os olhos de quem estava no Palácio dos Festivais (pagando ingresso a R$100,00) ou, em casa, vendo a premiação pela TV (Canal Brasil). Um profissional tarimbado (Edson Erdmann), que assina o Natal Luz do município serrano, criou paineis em led. Paineis-telas-suportes para mostrar trechos de filmes ou imagens de artistas, em especial os que estavam de passagem pelo imenso tapete vermelho da rua coberta (de uns 80 metros de comprimento). Erdmann e sua trupe blocaram os prêmios por categorias técnicas (melhores atrizes de longa brasileiro, latino e de curta, idem para fotografia, música, montagem, etc). Antes de entregar os prêmios, um profissional, top em seu área, meditava sobre seu ofício (quem arrebentou, em sua fala foi o montador gaúcho Giba Assis Brasil, que discorreu com rara inteligência sobre seu ofício). Com a premiação “em blocos”, a festa ganhou graça e agilidade. E ganhou vida com o agito dos curta-metragistas, que carregaram faixas e gritaram “fora Temer”. O comando de Gramado gastou muito dinheiro em seu palco feérico. Mas como quer seduzir os turistas e valorizar a transmissão televisiva da festa, o investimento se fez notar (fora Gramado, só outra festa similar tem, entre nós, transmissão ao vivo: o Grande Prêmio Brasil do Cinema Brasileiro, atribuído pela Academia Brasileira de Cinema. O próximo acontece dia 4 de outubro). Só que em Gramado sobram luzes e cores. No Rio, palco do Grande Prêmio (Trofeu Grande Otelo), ano passado, a escuridão e os vestidos e ternos pretos nos jogaram num mundo desprovido de luz. Que as bem-sucedidas experiência dos Prêmios Platino (Panamá, Marbela e Punta del Este) e do Festival de Gramado sirvam de modelo à Academia Brasileira de Cinema.

+ ATRIZES NAS ALTURAS — Três grandalhões chamaram atenção no Fest Gramado, este ano. O primeiro foi o ator uruguaio Jorge Denevi, protagonista da atrevida e inventiva comédia platina “ Las Toninas Van al Este” (só o vimos na tela). Ele, que lembra um Nino “Nós Que Nos Amávamos Tanto” Manfredi na terceira idade, mede 1m96. A atriz uruguaia Verónica Perrotta (ela dirigiu o filme com Gonzalo Delgado) ganhou o Kikito de melhor protagonista feminina (longa latino). Prêmio merecidíssimo, pois ela é ótima. E mede 1m76 (apenas 20 cm a menos que seu “pai” na ficção, o gay Miguel Angel García Mazziotti, decorador falido e de língua ferina, que apronta todas no balneário de Punta del Este). Também perto do “metro e oitenta” está a brasileira Luciana Paes, melhor atriz de curta-metragem por seu trabalho em “Aqueles Quinze Segundos” (Felipe Saleme, Juiz de Fora-MG). Luciana brilhou no longa “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, na pele de uma gerentona que buscava dar jeito num cemitério paulistano (sua entrada em cena, montada numa potente motocicleta, abalou os empregados “fúnebres” e o público). A produtora Sara Silveira, que integrou o júri de curta, confessou: “ela foi escolhida por unanimidade”. Ninguém vacilou.

Anúncios