*****FEST GRAMADO 2016 — ANO 44 — Um ator paraguaio, EMILIO BARRETO, de 76 anos, encantou Gramado e foi aplaudido com entusiasmo no debate do filme GUARANÍ, de Luis Zorraquín. Ao falar do veterano intérprete, o produtor Esteban Lucangioli (que faz também participação como ator no filme) chorou de emoção. Emílio protagoniza, ao lado da pré-adolescente Jazmín Bogarin, este “river movie (em águas caudalosas do Rio Paraná) que se transforma num “road movie”. A trama rarefeita deste belo diálogo com o cinema documental percorre 1.100 km, indo de um pequeno vilarejo paraguaio, até a periferia de Buenos Aires. GUARANÍ é o longa de estreia de Zorraquín, jovem cineasta argentino, que aproveitou a excelente repercussão de “7 CAIXAS”, o maior blockbuster da história do Paraguai, para realizar esta coprodução entre seu país e o do ator Emilio Barreto. Mas a alma do filme é mesmo paraguaia. Além dos dois protagonistas, o filme resulta em generoso canto de amor a este país que, no Séc. XIX, perdeu 70% de sua população masculina na Guerra da Tríplice Aliança contra Solano Lopez e que hoje é visto, por brasileiros inclusive, como terra de contrabandistas. Em GUARANÍ, encontramos Atílio (Emilio Barreto), um pescador que vive com algumas de suas filhas e a neta Iara (Jazmín Bogarín) à beira do rio. A mãe de Iara foi buscar trabalho em Buenos Aires. O avô, que cria a garota como um menino (que o ajuda nos afazeres do pequeno barco de pesca), mexe na mochila dela e descobre que a filha-migrante espera um filho homem. Resolve, então ir de barco com a neta até Buenos Aires. Mas o motor da embarcação pifa e eles não têm dinheiro para o conserto. Resolvem então seguir rumo à capital argentina de ônibus, carona, o que for. Esta travessia é a alma do filme. No longa caminho fluvial e terrestre os dois encontram pessoas as mais diversas, generosas e dispostas a ajudar no que for possível. Ninguém espere deparar-se com o Paraguai do estereótipo, povoado por malfeitores. A recepção ao filme nos festivais é motivo de alegria para o diretor e o produtor e de júbilo para EMILIO BARRETO (na foto abaixo vemos Zorraquín, Emílio, com a bandeira do Paraguai, e Lucangioli). *** TREZE ANOS PRESO — O ator, com sólida carreira no teatro, sonhou estudar Arte Dramática em São Paulo ou Buenos Aires, mas não pôde. Depois de citar o conterrâneo Augusto Roa Bastos, maior ficcionista do país (“A desgraça se enamorou do Paraguai desde o século XIX”) Emilio contou que passou 13 anos encarcerado como preso político durante da ditadura Stroesner. Para fugir da “loucura do encarceramento”, fez teatro com os colegas presos. GUARANÍ é seu terceiro filme (os anteriores são “El Invierno de Gunther” e “Requiem por un Soldado”, este sobre a Guerra do Chaco, que antagonizou Paraguai e Bolívia, em disputa por petróleo). Para dar credibilidade ao pescador Atílio, ele mergulhou no meio de pescadores guaranis, estudou seus gestos e falas. A qualidade de seu trabalho foi muito reconhecida ao longo do debate. O diretor ZORRAQUIN justificou sua opção pelo viés humanista de sua narrativa: “Claro que existe um lado escuro no Paraguai, como em muitos outros lugares. Optar por este lado escuro seria mais fácil e venderia mais. Só que a mim interessavam os conflitos internos dos personagens. Foi neles que investimos”. O filme já foi lançado na Argentina, com resultado regular. Estreia hoje (primeiro de setembro) em um bom número de salas, em solo paraguaio. Um feliz EMILIO BARRETO, que expôs orgulhosamente a bandeira paraguaia no palco do Palácio dos Festivais e nas fotos que se seguiram ao debate (ele a traz guardada no bolso) torce para que seus conterrâneos prestigiem este filme tão generoso e respeitoso com a cultura paraguaio-guarani. Aliás, falado majoritariamente em guarani (Atílio só aceita se expressar neste idioma) e, minoritariamente, em espanhol. *******FLASHES DIARIOS SOBRE O FEST GRAMADO no site da REVISTA DE CINEMA.

Enviado do Ipad de Rosário

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