. OLIMPIADA E VINICIUS — A festa de
abertura das Olimpíadas foi muito bonita. A espinha dorsal dela é, sem dúvida, “meirellista” (de Fernando Meirelles). Ele, que foi à Conferência do Clima, está preocupadíssimo com o futuro do planeta. Para construir o espetáculo, somou-se a um time de craques com três mulheres poderosas e muito criativas (Daniela Thomas, Débora Colker, Rosinha Magalhães) e também a Andrucha Waddington, Abel Gomes… E grandes técnicos internacionais. O vôo do 14 Bis foi emocionante (e provocou comentário dos norte-americanos, que reafirmaram sua leitura: “foram os nossos Brothers Wrigth que descobriram o avião!!!). A sequência dos bailarinos escalando prédios “imaginários” (esculpidos em “led”) ao som de CONSTRUÇÃO, de Chico Buarque, foi arrebatadora, a dança dos elásticos que viraram OCAS indígenas inesquecível… e o Brasil se assumiu black. Cantores e bailarinos negros tiveram espaço nobre. Um chute na eugenia que nos persegue… Alguns críticos apontaram uma ausência musical grave: a de Villa-Lobos. E agora a família de Vinícius de Moraes ameaça processar o Comitê Olímpico pela ausência da imagem de Vinícius de Moraes, autor da hipnótica letra de “Garota de Ipanema”, junto a Tom Jobim, no telão. Por que só a imagem do autor da melodia???? …

***AINDA A FESTA OLIMPICA (NA TV) –
Só assisti à festa olímpica na Globo (pensei que a emissora tinha exclusividade. Soube, depois, que Fábio Porchat, comentarista da transmissão da Record, estava hilário. E que o simpático Ricardo Boechat fôra o âncora da transmissão na Band…). Dancei?. Sim. Pois Galvão e turma, na Globo, cometeram falhas graves: primeiro, ficar falando do passado de W. Waak como ex-jogador de seleção — me digam, quem, num momento da grandeza de uma abertura de Olimpíada, quer sabe se um apresentador da Globo desmedalhado (e dos mais antipáticos) praticou ou não este ou aquele esporte???. Falei, inutilmente, comigo mesma: “Galvão, por favor, silêncio!”. Só um dos locutores da Globo (Luiz…) deu informação útil sobre Burkina-Faso, país africano, “onde acontece um importante festival de cinema, o mais importante da África” (excelente comentário). Mas outros desconhecidíssimos “países” (são mais de 200 nas Olimpíadas) passavam e os comentaristas da Globo
NADA SABIAM ou nada tinham a dizer sobre eles!!!
Outra falha: a Coreia do Sul passou. E nada da Coréia do Norte. Pensei que este país seria — por razões políticas — o único excluído pelo COI. Mas não. Ele apareceu na letra R (República Popular da Coreia). Mas os comentaristas da Globo poderiam ter avisado ao público que o controvertido país asiático tinha sido estrategicamente separado de seu grande rival do Sul (sim, eles tinham o roteiro inteirinho na mão)… Havia a história de que os EUA queriam entrar (como USA) na letra U para segurar a atenção de seus espectadores (que perderiam o interesse depois que a potência olímpica passasse!!!!). Mas entrou como EUA, portanto na letra E….. (Torçamos para que, um dia, tenhamos comentaristas menos ufanistas-e-piegas que Galvão, e mais informativos: como Luiz…..). Preciso aprender o nome dele. Paulo Betti (assim como Lúcia Nagib), que já participou do Festival de Burkina-Faso com seu “Cafundó”, deve ter ficado feliz com a lembrança do locutor qualificado.

Anúncios