**********OLHAR DE CINEMA 2016 — A ilustração acima, que encapa o DVD brasileiro de “O Manuscrito de Saragoça”, uma das mais surpreendentes atrações do OLHAR CLÁSSICO, um dos mais concorridos segmentos do festival Olhar de Cinema, traz a grife de Scorsese & Coppola. Os dois grandes realizadores do cinema norte-americano têm se notabilizado pela descoberta de grandes clássicos (esquecidos) do cinema. Um dos filmes que a dupla ajudou a resgatar do esquecimento foi o soviético-cubano SOY CUBA, de Mikhail Kalatozov, com magistral fotografia de Sergei Urushev, tema do documentário brasileiro “Soy Cuba, o Mamute Siberiano”, de Vicente Ferraz. Scorsese dedica-se com tanto afinco à recuperação de clássicos do cinema, que tornou-se o diretor da The Film Foundation, instituição das mais respeitadas no campo da memória cinematográfica. Ano passado, a Fundação fez jus a prêmio de reconhecimento da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e teve títulos por ela restaurados (alguns em parceria com a Cinemateca de Bolonha) exibidos para nutrir a cinefilia paulistana. A sessão paranaense de O MANUSCRITO DE SARAGOÇA mobilizou ótima platéia no Espaço Itaú-Crystal, principal cenário do OLHAR DE CINEMA. A cópia do filme, realizado em 1965 por Wojciech Jerzy Has (1925-2000), brilhava como se fosse uma produção do ano em curso. William Biagioli, que apresenta os filmes ao público, relatou a pequena epopéia para conseguir exibir o longa polonês no festival curitibano. O comando do festival recorreu ao Consulado da Polônia, aqui no Paraná (estado que mobiliza a maior comunidade polonesa do país), argumentado a justeza de exibir o filme aqui. O Consulado ajudou no que pôde. Mas só nos momentos derradeiros conseguiram apoio da Fundação Adam Mickiewicz e dos herdeiros do cineasta WJHas, morto 15 anos atrás. Com as autorizações garantidas, foram envidados esforços para produzir as legendas eletrônicas do filme, que dura 3h05′. E a plateia pôde, então, fruir de projeção impecável, da beleza da fotografia em preto-e-branco de Miecszyslaw Jahoda, da trilha sonora de Krszztof Penderecki e de arrebatadora direção de arte (fundamental num filme fantástico). A narrativa estrutura-se em torno de um oficial do exército, que sai do campo de batalha para o mundo da imaginação. Isto, depois de encontrar volumoso e ilustradíssimo livro, iniciando viagem onírica e exótica por terras de Espanha. Uma espécie de “As Mil e Uma Noites” polaco. O astro de “O Manuscrito de Zaragoça, Zbigniew Cybulski (de Cinzas e Diamantes, de Wajda), visto em um de seus últimos filmes, já não ostenta a beleza rebelde que valeu a ele (também por sua morte prematura) o aposto de “James Dean polonês”. Sua beleza, agora madura, faz do capitão, trajado em bela e impecável farda, um dos fortes atrativos deste surpreendente exemplar do cinema fantástico, baseado em clássico da literatura (“O Manuscrito de Saragoça, do polonês Jan Potocki). Além de Scorsese & Coppola — lembrou William Biagioli — “o filme tinha outro fã apaixonado nos EUA: o guitarrista Jerry Garcia (1942-1995), da banda Grateful Dead.*****Ainda no campo das surpresas do segmento OLHAR CLÁSSICO: sem que soubessem, os fellinianos brasileiros foram presenteados pelo festival curitibano com outra raridade inesperada. Aqueles que foram rever AMARCORD (1973), de Federico Fellini, além de cópia tinindo de nova (pois restaurada pela Cineteca de Bologna) puderam fruir documentário de dez minutos, realizado por Giuseppe “Cinema Paradiso” Tornatore, com imagens inéditas do filme. Ou seja, com trechos editados de sobras do monumental e memorialístico “eu me lembro” felliniano, mais imagens do mestre peninsular dirigindo seus atores.

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