OLHAR DE CINEMA 2016 — Nestes sábado e domingo, interrompo minhas atividades matutinas e vespertinas no FESTIVAL CURITIBANO para mergulho em tema que sempre me apaixonou: o CINEMA LATINO-AMERICANO. A convite do curso de Cinema da UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná) vou dar um curso sobre as cinematografias hispano-americanas e luso-americana. ******Aqui no OLHAR DE CINEMA assisti, ontem, a um ótimo filme chileno — EL VIENTO SABE QUE VUELVO A CASA, de José Luis Torres Leiva. Trata-se de uma ficção-documentário metalinguístico, mas daquelas que amam a vida, as pessoas e suas fabulações, a memória e a História enfim. Um cineasta (Ignacio Agüero) resolve visitar dezenas de ilhas do imenso arquipélago chamado CHILE. Aquelas ilhas habitadas por descendentes de mapuches e de espanhóis. Ele tem um ponto de partida: no verão de 1981, Juan e Maria desapareceram sem deixar vestígios e sem maiores explicações, na ilha de Meulin, em Chiloé. Passados 32 anos, Aguëros busca testemunhos do acontecido. Para tanto vai se relacionar com dezenas de ilhéus e, ao jeito de Eduardo Coutinho, conversar com as pessoas, buscar vestígios do que se passou. Nos mostrará, delicadamente, que quem tem sobrenome espanhol não gostava (não gosta ainda?) de ver seus filhos se relacionando com chilenos de nomes indígenas. No melhor momento-depoimento do filme, uma senhora, descendente de mapuches, conta que a sogra, de origem espanhola, não aceitou que ela se casasse com seu filho. Só que velha senhora enviuvou-se e não tinha os filhos por perto para cuidar dela. Quem a recebeu em sua casa? A nora-mapuche, tão rejeitada. Noutro grande momento, uma senhora, também de traços índios, já meio esquecida, fala de seus oito filhos (o mais velho desapareceu no Brasil, há mais de 30 anos), ajudada pela filha Sônia, que não aparece em quadro. **** Na foto abaixo, encontros na fria noite paranaense do Festival, com o ator e produtor Talício Cirino e o cineasta Eloi Pires Ferreira, diretor de O Sal da Terra e Curitiba Zero Grau. Com eles, Orlando Margarido, Luiz Fernando Zanin Oricchio e Maria do Rosário Caetano.

Enviado do Ipad de Rosário

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