ALMANAKITO (03-05-16) + NISE + MEXICO + GREVE DE OSASCO (IBRAHIN)
+ VLADIMIR SAFATLE (COLUNA NA FOLHA) + EBC: VENÍCIO LIMA

Rô Caetano
Maria do Rosário Caetano
Blog: www.almanakito.wordpress.com

ALMANAKITO
SEXTA-FEIRA (03-05-16)

+ NISE DA SILVEIRA + MEXICO NO CINE CEARÁ 2016 + GREVE DE OSASCO (IBRAHIN)

+ VLADIMIR SAFATLE (COLUNA NA FOLHA) + VENÍCIO LIMA E A TV PUBLICA

+ REVISTA DE CINEMA 129 (EXEMPLARES PARA NÃO-ASSINANTES ESTÃO DISPONÍVEIS NAS BIBLIOTECAS DA REDE PUBLICA DO MUNICIPIO DE SÃO PAULO)

+ CIRCUITO SP CINE + O BOTÃO DE PÉROLA (DEBATE NO CINESESC) + OLHAR DE CINEMA 2016 (CURITIBA)

+ CINEOP 2016 HOMENAGEIA EDUARDO COUTINHO E FRANCISCO SERGIO MOREIRA

+ MOSTRA DE FILMES COM SONIA BRAGA NA CINEMATECA BRASILEIRA ATÉ 12 DE JUNHO

+ AQUARIUS, DE KLEBER MENDONÇA, JÁ FOI VENDIDO PARA TRINTA PAÍSES.

*******HOJE, DIA 3 DE JUNHO, 17h00,

DOCUMENTARIO SOBRE

DOIS “VULCÕES”

QUE AMARAM (E FORAM AMADAS)

POR ROSSELLINI:

Anna Magnani e Ingrid Bergman.

No CANAL ARTE1

***ARTIGO DE MARIA CRISTINA

FERNANDES SOBRE NISE DA

SILVEIRA (NO VALOR ECONÔMICO)

E O FILME DE ROBERTO BERLINER

******A CAPA DO CADERNO “EU”,
do Valor Econômico de hoje tem
o seguinte tema, impresso em VERMELHO:
NOVO FEMINISMO, VELHOS PROBELAS

******ELIANE CAFFÉ: “ERA
O HOTEL CAMBRIDGE” –
Cinema e oficinas
com refugiados em São Paulo

+ CURUMIM, DE MARCOS PRADO, NO FESTIVAL DE CRACÓVIA (POLÔNIA): Coluna de Amir Labaki (Valor Econômico)

+ COLUNA DE VLADIMIR SAFATLE (FSP) + ENTREVISTA
DE VENICIO ARTUR DE LIMA (SOBRE TV PUBLICA):
abaixo, nesta remessa

+ FILME “PASSAPORTE PARA OSASCO”
(JOSÉ IBRAHIN), DE RUI DE SOUZA (CENTRO
CINECLUBISTA DE SÃO PAULO): se troquei nomes
na nota abaixo (sobre o documentário), me corrijam,
que farei as devidas correções. OK???

+ AMIGOS: NÃO SE ESQUEÇAM DA
SESSÃO-DEBATE DE “O BOTÃO DE PEROLA”, de Patrício Guzmán. nesta quarta-feira, oito de junho, 20h30, no CineSesc. Estou de coração partido, pois sigo para Curitiba (Olhar de Cinema + um curso rápido sobre Cinema Latino-Americano). Depois, tem o CineCeará, maratona ibero-americana que amorosamente me consome, por causa dos debates (no mais puro PORTUNHOL!!!! – risos), que eu modero com o ator e agitador cultural argentino-brasileiro, Tito Ameijeiras, protagonista de “Los Hijos de Fierro”, de Fernandso Solanas…..). E neste sábado vamos, uma penca de amigos, ver a montagem teatral
O PÃO E A PEDRA, do Latão…….

+ VLADIMIR SAFATLE (COLUNA NA FOLHA) + EBC: VENÍCIO LIMA: ‘Lei manda que EBC faça comunicação
pública, e não governamental’

********CINECEARÁ 2016 –
Mostra de Cinema Mexicano
COM 22 LONGAS-METRAGENS.

FILMES PROGRAMADOS (22)

1 LA MALDAD, de Joshua Gil

Festival de Berlín 2015, estreno en Brasil

2 ALEXFILM, de Pablo Chavarría

IBAFF 2014, estreno en Brasil

3 LAS LETRAS, de Pablo Chavarría

Festival de Berlín 2016, estreno en Brasil

4 HISTORIAS DE DOS QUE SOÑARON, de Nicolás Pereda

FICUNAM 2016, estreno en Brasil

5 TE PROMETO ANARQUÍA, de Julio Hernández Cordón

Festival de Locarno 2015

6 TEMPESTAD, de Tatiana Huezo

Festival de Berlín 2016 – Estreno en Brasil

7 SANGRE, de Amat Escalante

Un Certain Regard, Cannes 2006

8 LOS BASTARDOS, de Amat Escalante

Un Certain Regard, Cannes 2009

9 HELI, de Amat Escalante

Melhor Diretor Festival de Cannes 2014

10 JAPÓN, de Carlos Reygadas

Cámera de Ouro, Festival de Cannes 2003

11 BATALLA EN EL CIELO, de Carlos Reygadas

Selecçao Oficial Festival de Cannes 2005

12 LUZ SILENCIOSA, de Carlos Reygadas

Premio do jury, Festival de Cannes 2007 Melhor Filme latinoamericano – Fipresci 2007

13 POST TENEBRAS LUX, de Carlos Reygadas

Melhor Direçao, Festival de Cannes 2013

14 EL ANGEL EXTERMINADOR, de Luis Buñuel

Premio da Sociedade de Escritores, Festival de Cannes 1962 Premio FIPRESCI 1962

15 – LUCIFER, de Gus Van Den Bergue

FICUNAM e RIVIERA MAYA 2015. Estreia em Brasil.

16 LA CALLE DE LA AMARGURA, de Arturo Ripstein

Festival de Venezia 2015
Melhor filme Festival de Gijón 2016

17 EINSENSTEIN IN GUANAJUATO, de Peter Greenaway Festival de Berlím, 2015

18 MAÑANA PSICOTRÓPICA, de Alexandro Aldrete

Festival Distrital, Mexico

19 LOS MUERTOS, de Santiago Mohar

FICUNAM 2015, Estreia em Brasil

20 AMORES PERROS, de Alejandro Iñárritu

Premio da crítica, Festival de Cannes 2001

21 — 600 MILLAS, de Gabriel Ripstein
Melhor Ópera Prima – Festival de Berlim 2015

22 MATAR EXTRAñOS, de Nicolás Pereda y Jacob Secher Schulsinger

Festival de Berlim 2013

***MUSICA PERFEITA
PARA O SUICÍDIO
Peça teatral COM HENRIQUE ZANONI E
PARTICIPAÇÃO DE JEAN-CLAUDE
BERNARDET. DIREÇÃO DE CRISTIANO BURLAM.

CONVITE DE JEAN-CLAUDE BERNARDET

Gostaria de convidar a todos para a assistirem à peça

“Música Perfeita para o Suicídio”, baseada na obra de Emil Cioran, com Henrique Zanoni, direção de Cristiano

Burlan e participação especial de Jean-Claude Bernardet.

A peça fica em cartaz

até 30 de Junho, sempre às terças, quartas e

quintas-feiras, 21hOO

(às quintas haverá

debate após o espetáculo).

Teaser:
https://www.youtube.com/watch?v=mQ9IAFh-N_k

Ingressos Antecipados:
https://www.ingresse.com/ingressos-musica-perfeita-para-suicidio

Facebook:
https://www.facebook.com/events/1726182077623376/

************AMIGOS:
Antes de lhes recomendar
a leitura do material abaixo:
COLUNA DE SAFATLE E
ENTREVISTA DE VENICIO LIMA)
lembro a todos a curta temporada (só até começo de julho) da peça
O PÃO E A PEDRA, da Cia do Latão. E a estreia, no CineSesc,
de um filme profundo, arrebatador, imperdível: “O Botão de Pérola”,
do chileno Patrício Guzmán, autor da épica documental
intitulada “La Batalla del Chile”. E lhes mando
nota sobre o documentário “Passaporte
para Osasco”, de Rui de Souza.
Um grande abraço, rô caetano

+ PASSAPORTE
PARA OSASCO
Documentário de Rui de Souza, 90 minutos.
Produção do Centro Cineclubista de São Paulo,
Cineclube Alto do Farol e Kinopheria (Osasco-SP)
Assisti, ontem em DVD, ao documentário de longa-metragem “Passaporte para Osasco”, dirigido por Rui de Souza. O realizador, que contou com o apoio da Comissão Municipal da Verdade (do município paulista), é claro em seus propósitos: “Este
filme é fruto de anseio de vários artistas, intelectuais e operários. Aborda a ‘geração 1968’ na cidade. Notadamente a greve de Osasco de julho daquele ano. É também uma singela homenagem a José Ibrahin (1947-2013 ) e seus amigos/companheiros“.
E é isto que ele faz, apoiado em dezena de depoimentos de militantes políticos, protagonistas da Greve de Osasco (1968). Inclusive e, principalmente, o de José Ibrahin, morto há dois anos. Como o filme foi realizado ao longo de muitos anos, Rui e seu fotógrafo João Luiz de B. Neto foram gravando testemunhos. Os melhores são os de Antonio Roberto Spinosa e Roque Aparecido, pois temperados com humor. Ibrahin também têm muito o que dizer, embora o faça sem a pulsão de vida que deve ter marcado sua agitada juventude. Completam a longa narrativa (que por fixar-se praticamente só no recurso do depoimento, às vezes cansa) os testemunhos de duas mulheres — Risiomar Fasonaro e Helena Pignatari Werner, esta, professora e autora de livro sobre as greves operárias de Osasco) — José Groff, João Joaquim Silva, Inácio Pereira Gurgel… Raras imagens (dos corpos de Lamarca e Zequinha mortos, de fotos e manchetes de jornal) tentam (mas são insuficientes) quebrar a repetição de testemunhos dados em super-close. Quando o filme começa, nos animamos. Um jovem Ibrahin aparece em uma loja masculina, na França, falando francês fluente com o rapaz que o atende. Ele prova ternos, pois, anistiado, regressará ao Brasil (1979). O sindicalista dá a entender que não é chegado em ternos, mas que faz questão de desembarcar no Brasil envergando um. Por que?, quer saber o jovem francês. “Porque dizem que os guerrilheiros são terroristas, marginais. Quero mostrar que não somos”. Dá-se um corte temporal e vemos a ‘”geração osasquense de 1968″ já grisalha, passados quase 50 anos. Ibrahin tinha 21 anos na época das greves e da prisão. E conta história impressionante sobre desejo de suicidar-se pulando de um viaduto paulistano, a que seria conduzido pelas forças repressivas, empenhadas em prender “novos subversivos” (ele fornecera um “ponto” falso). Outro bom momento do documentário vem de depoimento de Spinosa, sobre o jornal NP (Notícias Populares), o mais lido pelos sindicalistas: o NP vivia de crimes sensacionalistas, mas era o veículo que fazia “a melhor cobertura das lutas sindicais de nossas bases”. E a cobertura de crimes, a maioria protagonizada por personagens ficcionalizados (a loura-fantasma, o bebê-diabo, o bode estuprador) só fazia aumentar o estigma sobre a cidade. As apelativas capas-manchetes do jornal são mostradas para ilustrar o que diz o militante. Os outros depoimentos são apenas corretos.
***QUEM QUISER
programar o filme em
seu cineclube ou centro cultural
deve entrar em contato com
RUI DE SOUZA
pelo e-mail: rsouza08.
Ou consultar o blog:
netodohumbertomauro.blogspot.com.
Ou contatar o distribuidor do filme, o cineasta
e cineclubista Diogo Gomes dos Santos:
diogo_gomescn

************TELEVISÃO PUBLICA:

“Lei manda que EBC faça comunicação
pública, e não governamental”
Matéria (entrevista) com integrante
do Conselho da EBC-TV Brasil,
Venício A. de Lima, professor da UnB (Universidade de Brasília e autor de vários livros, entre eles, “Educação e Cultura – As Idéias de Paulo Freire, creio que pela Paz e Terra, fruto de sua tese de doutorado, defendida nos EUA). Tive a alegria de ter sido aluna dele, na UnB. Beijos, rô
(ver abaixo)

****COLUNA DE VLADIMIR
SAFATLE, NA FOLHA DE S. PAULO

Apertem os cintos, o piloto sumiu – 03/06/2016 –
Vladimir Safatle – Colunistas – Folha de S.Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2016/06/1777555-apertem-os-cintos-o-piloto-sumiu.shtml

Apertem os cintos, o piloto sumiu

É certo que mesmo o mais entusiasta apoiador do golpe oligárquico perpetrado no Brasil não imaginava uma sequência tão desastrada como a que estamos a ver. A narrativa hegemônica antes do processo de impeachment de Dilma Rousseff era que, afastada a presidente, o dólar cairia, a bolsa subiria, a sociedade se reunificaria e voltaríamos a uma certa normalidade.

Mesmo os que denunciavam a manobra política afirmavam que entraríamos em um conchavo macabro entre a classe política, a imprensa e o judiciário para a criação de uma pacificação artificial do cenário político nacional.

No entanto, o que aconteceu foi outra coisa. Nestes primeiros 20 dias, o governo interino foi diariamente bombardeado por vazamentos de gravações que provocaram a queda de dois ministros em menos de um mês, setores da imprensa não deixaram de reverberar os arcaísmos e mazelas dos novos ocupantes do poder, minando a popularidade de um governo que começou em baixa. A quantidade de medidas anunciadas e revogadas em menos de um dia demonstra a profunda fragilidade do arranjo governista e seu programa.

Uma das formas de interpretar tal situação passa por compreender de outra forma golpes políticos como esse que o Brasil conheceu.

Normalmente, imaginamos que a queda de um grupo de poder e a ascensão de outro é fruto de um projeto claramente concebido que recebe a anuência de vários atores políticos com interesses em comum dispostos a se submeter a um comando central. Teria sido assim, por exemplo, com a ditadura militar, na qual setores do empresariado nacional, do latifúndio, da igreja conservadora e da imprensa organizaram seus interesses em comum submetendo-se ao comando militar, que foi rapidamente impondo sua hegemonia de fato.

No entanto, lembremos aqui da teoria presente em um dos mais impressionantes estudos sobre o estado nazista, a saber, “Behemoth: A Estrutura e a Prática do Nacional-Socialismo”, de Franz Neumann.

Uma das principais teses de Neumann, companheiro de rota da Escola de Frankfurt, consiste em afirmar que o Estado nazista não era uma totalidade orgânica e homogênea. Antes, ele era composto de, ao menos, quatro grupos (o partido, o Exército, os industriais e a burocracia estatal) que se digladiavam entre si constituindo estruturas de poder paralelas que entravam continuamente em choque.

O Estado não se desagregava apenas porque existia um “mediador universal” reconhecido por todos (no caso, o Führer) que decidia os conflitos internos quando necessário. Agora, imagine uma situação como essa sem a figura do mediador universal. Você chegará assim ao Brasil atual, fruto de um impressionante golpe sem comando.

Cinco grupos tomaram a frente do processo de derrubada do governo Dilma. Primeiro, a casta política, que resolveu sacrificar seu sócio mais novo (o PT) para tentar, como disse singelamente o senhor Romero Jucá, “estancar a sangria”.

Segundo, o poder Judiciário, que, diante da imobilidade do Executivo e do Legislativo, paulatinamente foi alçado ao centro do processo decisório nacional, ganhando um protagonismo e autonomia nunca visto. Não foram poucos os que denunciaram que o Brasil caminha para uma certa condição de República de juízes.

Terceiro, setores hegemônicos da imprensa, que tem sua pauta liberal-conservadora própria.

Quarto, a oligarquia financeira, único setor da economia nacional capaz de organizar o comando da economia a partir de seus próprios interesses. Por fim, a igreja evangélica conservadora, cuja influência na política brasileira é fruto de trabalho ideológico de longo fôlego no interior da dita “nova classe média”.

Todos esses atores têm agendas próprias, não necessariamente convergentes. A única coisa que eles têm em comum é o mesmo inimigo externo, a saber, a esquerda no poder. O que os une é a violência contra o mesmo inimigo, que precisará continuar como tal. O que veremos agora será, pois, tais atores se digladiando entre si para impor sua hegemonia.

Policiais prendendo banqueiros, a imprensa enquadrando membros da casta política, evangélicos pressionando o governo para suas pautas fundamentalistas: esses movimentos são apenas um jogo de força no interior de um golpe sem comando e de um país à deriva. Esta é uma das versões possíveis do vazio no poder.

*****TELEVISÃO PUBLICA:

‘Lei manda que EBC faça
comunicação pública,
e não governamental’

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/06/lei-manda-que-ebc-faca-comunicacao-publica-e-nao-comunicacao-governamental-1698.html

‘Lei manda que EBC faça comunicação pública, e não governamental’

Membro do Conselho Curador da empresa, Venício Lima diz que com governo Temer houve dezenas de demissões, suspensão de contratos e mudanças no trabalho de jornalistas

por Eduardo Maretti, da RBA

publicado 02/06/2016 17:32, última modificação 02/06/2016 18:03

Camila Martins/UnB Agência

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Lima: “Dezenas de demissões, suspensão de contratos

de programas contrariam plano do Conselho Curador”

São Paulo – Em nota pública divulgada hoje (2) em seu site na internet, o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação “saúda a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que nesta quinta-feira deferiu liminar em favor do mandato do presidente da EBC, Ricardo Melo”.

Em sua decisão liminar, Toffoli afirmou: “Observo da leitura dos dispositivos – expressos quanto à existência de mandato ao diretor-presidente pelo período de quatro anos e expresso também quanto às hipóteses de destituição do cargo (dentre as quais não se insere a livre decisão da presidência da República) – que há nítido intuito legislativo de assegurar autonomia à gestão da Diretoria Executiva da EBC, inclusive ao seu diretor-presidente” (leia íntegra da decisão no link abaixo).

Melo foi exonerado em 17 de maio pelo presidente interino, Michel Temer, que nomeou o jornalista Laerte Rimoli para o cargo no dia 20. Com a decisão do STF, Melo pode reassumir seu mandato, de acordo com o previsto na Lei nº 11.652/2008, que rege a EBC.

Na nota (leia aqui), o Conselho Curador lembra que, na terça-feira (31), em reunião plenária, “o colegiado fez um apelo para que o Judiciário se manifestasse, ‘na urgência que as circunstâncias exigem para que todos possam contribuir para a construção e o fortalecimento de um Brasil melhor, com uma comunicação mais democrática’”.

Membro do Conselho Curador desde agosto de 2015 (indicado por mais de 50 entidades da sociedade civil, candidato mais votado e nomeado pela presidência da República a partir de uma lista tríplice), o jornalista Venício Artur de Lima reafirma a posição da nota, dizendo que é preciso respeitar a lei e portanto “garantir a independência e autonomia da empresa para que ela faça comunicação pública, e não comunicação governamental”.

Porém, Venício reconhece que, “embora interino, provisório, ilegítimo, nada impede que esse governo vá adiante e publique uma medida provisória que modifique a lei”.

Segundo ele, a polêmica em torno do veto à palavra “presidenta” na EBC, por determinação do governo, “é a menor questão” entre as novas regras na empresa, como “uma mudança clara de orientação do trabalho de jornalistas”.

Qual sua avaliação sobre o processo envolvendo a EBC a partir da posse de Temer?

O Conselho Curador, logo que circulou a notícia de que eventualmente poderia acontecer a exoneração do presidente, se manifestou contrariamente, dizendo que seria um desrespeito à lei. Minha posição coincide completamente com a posição do conselho. Fiz parte da decisão, votei pela aprovação das notas. Na nova nota sobre a decisão do STF, o conselho aplaude a decisão do ministro Toffoli.

O que o sr. destaca na decisão de Toffoli?

Desde a discussão que ocorreu em 2007, 2008, para a transformação de uma medida provisória enviada pelo governo Lula ao Congresso, que criava a EBC, a preocupação era garantir a autonomia da empresa, em relação ao governo e ao mercado, e sua independência, e fazer não coincidir os mandatos de presidente da empresa com os mandatos do presidente da República. Exatamente para que a empresa não ficasse sujeita à interferência direta do governo eventual, qualquer que fosse. Essa era uma preocupação desde a discussão para a criação da empresa.

O parágrafo 2° do artigo 19 da lei diz explicitamente que o mandato do presidente da empresa é de quatro anos. Ricardo Melo foi indicado nos termos da lei. A exoneração de Ricardo Melo foi um flagrante desrespeito à lei, cuja determinação básica é garantir a autonomia da empresa, para que ela possa fazer comunicação pública.

Já que a medida provisória equivale a uma lei ordinária, a partir da decisão de Toffoli o governo interino não poderia reagir editando uma nova MP, mudando a lei?

Claro que pode. A MP teria que ser aprovada no Congresso. Espero que isso não aconteça, mas se acontecer ficará absolutamente claro que a intenção do governo é interferir na autonomia da empresa. E isso contraria o artigo 223 da Constituição, cujo caput prevê “o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”. A lei que criou a EBC é a expressão desse artigo, na medida em que cria um sistema público e procura garantir sua autonomia.

O Conselho Curador tem como função principal, definida na lei, garantir o cumprimento dos princípios e objetivos da lei. Desde que estou no conselho sua preocupação básica tem sido, como manda a lei, garantir a independência e autonomia da empresa para que ela faça comunicação pública, e não comunicação governamental.

Fazendo uma analogia, o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, disse que o governo “não tem juízo,” já que mexe em coisas complexas como a Petrobras, sendo interino. Esse raciocínio é aplicável à EBC?

Prefiro não fazer comparação. Mas a questão aqui é o cumprimento da lei. No caso da exoneração do presidente da EBC, foi tão evidente que o mandado de segurança impetrado pelo diretor-presidente exonerado foi acolhido, pelo menos liminarmente, pelo Supremo Tribunal Federal. Agora, embora interino, provisório, ilegítimo, nada impede que esse governo vá adiante e publique uma medida provisória que modifique a lei.

Reafirmo que espero que isso não aconteça. Se acontecer, ficará mais claro ainda que o que ele quer, no caso da EBC, é destruir o projeto de construção de uma comunicação pública. Que no caso brasileiro é extremamente importante e necessário, considerando que temos uma situação de prevalência total da mídia privada, que historicamente se constituiu através do controle de uns poucos monopólios. A comunicação pública é um dos poucos respiros que existem para uma comunicação alternativa, para a formação da opinião pública, para a manutenção do contraditório no espaço público. Uma questão vital para a democracia.

Mas sua visão é a de setores progressistas, não de um governo que demonstra não ser progressista…

Essa minha visão pode ser progressista, mas está ancorada num princípio da Constituição Federal de 1988. O princípio da complementaridade dos sistemas.

Mas é uma Constituição que parece que o governo não está respeitando…

A natureza deste provisório governo é essa. Não estou negando isso.

Entre as medidas relativas à EBC, o sr. considera significativa a que proíbe o uso do termo “presidenta”?

O diretor-presidente que foi nomeado para a EBC, contrariando a lei, que agora vai ter que deixar o cargo, já tomou uma série de medidas. Essa da proibição da palavra “presidenta”, em relação à presidenta Dilma, que está temporariamente afastada do poder, é apenas uma. Houve dezenas de demissões, suspensão de contratos de programas que estão no ar, contrariando plano de trabalho aprovado no Conselho Curador, mudanças claras de orientação do trabalho de jornalistas que já estavam se sentindo pressionados a evitar certas expressões ou fazer coberturas em determinado sentido. É uma situação absurda. A questão da “presidenta” é a menor questão delas.

Leia íntegra da decisão do ministro Dias Toffoli: Medida cautelar em mandado de segurança 34.205

+ ELIANE CAFFÉ (ERA O HOTEL CAMBRIDGE):

Cinema e oficinas com refugiados em São Paulo

acesse o preview aqui.
Filme dirigido por Eliana Caffé realizou oficinas com refugiados em São Paulo

A Assembleia Geral das Nações Unidas definiu o dia 20 de junho como o principal dia em lembrança à situação dos refugiados. A data, em voga desde 2001, é marcada por ações e atividades que visam conhecer e denunciar a situação particular e urgente na qual se encontram 43,7 milhões de refugiados ao redor do mundo.

O Brasil recebe milhares de refugiados todos os anos. São pessoas que procuram o país porque fogem de conflitos armados, violência generalizada e violação massiva dos direitos humanos em seu pais de origem.

O filme Era o Hotel Cambridge, da diretora brasileira Eliana Caffé, narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, juntos com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Em meio à tensão diária da ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo.

A preparação do projeto levou dois anos e foi gerido por um coletivo que permitiu transformar todo o edifício (que é zona de conflito real) no set criativo da filmagem. Esse coletivo foi composto por quatro frentes principais: equipe de produção do filme; lideranças da FLM (Frente de Luta pela Moradia); grupo dos refugiados e núcleo de estudantes de arquitetura da Escola da Cidade. Por meio oficinas dentro da ocupação surgiu a matéria prima para o aprimoramento do roteiro e da direção de arte. A ousadia do experimento garantiu autenticidade e força dramática ao o filme.

As oficinas realizadas na ocupação do Hotel Cambrigde foram determinantes para a criação do GRIST Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto, iniciativa dos próprios moradores do local. “A diretora Eliana Caffé percebeu o grande número de refugiados nas ocupações e a ligação entre eles e brasileiros de baixa renda, principalmente o problema da falta de moradia. Todos os questionamentos levantados nesta etapa da filmagem despertaram e motivaram os refugiados a se organizarem em busca de soluções para problemas comuns. Depois de terminada a filmagem, o grupo continuou se encontrando e consolidou o coletivo, composto por imigrantes e refugiados de diversas etnias”, explica Pitchou Luhata Luambo, refugiado da República Democrática do Congo e coordenador do GRIST.

O GRIST organiza palestras e eventos com o objetivo de abordar pautas relacionados aos refugiados e imigrantes, como o problema da morosidade na obtenção da documentação, por exemplo. “Isso (a falta de documentação) impede que o refugiado esteja regularizado no país e, consequentemente, acarreta dificuldades para alugar uma casa, trabalhar e estudar, por exemplo. Nos nossos eventos incluímos debates sobre problemas enfrentados por refugiados e imigrantes no Brasil e no mundo e apresentamos a gastronomia, o artesanato e a música de países da África e do Haiti para criar uma aproximação com as pessoas. Para isso, fizemos também a campanha ‘REFUGIADOS, EU ME IMPORTO’. São ações que ajudam a combater a xenofobia, o racismo e a discriminação”, complementa Pitchou.

Era o Hotel Cambridgerecebeu o Prêmio da Indústria – Cine en Construcción no 63º Festival de San Sebastián em 2015, e o Hubert Buls Fund 2015 – do Festival de Rotterdam​e será lançado comercialmente em janeiro de 2017 com distribuição da Vitrine Filmes.

FICHA TÉCNICA

Sinopse: Esse filme conta a inusitada trajetória de um grupo de refugiados que divide com os sem-teto uma ocupação no centro de São Paulo. Na tensão diária pela ameaça de despejo, revelam-se pequenos dramas, alegrias e diferentes visões de mundo dos ocupantes.

Direção: Eliane Caffé

Elenco: Zé Dumont, Suely Franco e Carmen Silva

Participação Especial: Lucia Pulido

Gênero: Drama

Produção: Aurora Filmes

Coprodução: Tu Vas Voir e Apoio

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