*********CINE PE 2016 – ANO XX (FEST RECIFOLINDA) – Mais três curtas-metragens foram apresentados nas mostras competitivas pernambucana e nacional: a ficção A VIDA EM UMA VIAGEM, da recifense Tauana Uchôa (que participa da competição também com o documentário “Não Tem Só Mandacaru”), O ÚLTIMO ENGOLERVILHA II, representado pelo animador mineiro, Jackson Abacatu (de branco, na foto) e o drama O COELHO, do carioca Marcello Sampaio. Tauana, de apenas 22 anos, já está em seu terceiro curta (o primeiro teve o histórico e belíssimo Cine São Luiz como tema). Ela prepara seu primeiro longa-metragem. A VIDA EM UMA VIAGEM é um exercício de concisão, que acompanha só com imagens, a trajetória de Ana, durante várias décadas. A “viagem” existencial se passa em vagões de trem (e no metrô, na fase contemporânea) e tem as relações afetivas dos personagens e momentos da história brasileira (o impeachment de Collor, o único trecho que ganha palavras) como referências. À jovem cineasta, adepta do “menos é mais” , faltou estabelecer limites para a trilha sonora, excessiva. *********ABACATU integra um time de 14 animadores mobilizado por MARÃO para construir um curta composto de micro-episódios. Quem conhece os curtas anteriores da série sabe que eles têm na bizarrice e na escatologia suas motivações. A ordem é fazer em ENGOLERVILHA tudo que não se pode fazer em projetos mais, digamos, comerciais. O resultado é desigual, mas agradou em cheio aos jovens que foram ao Cine São Luiz. Os aplausos se multiplicaram, pois escatologia e bizarrice parecem ser fortes combustíveis da moçada festivaleira. Entre os 14 realizadores estão, além de Marão, a delicada Rosane Urbes e um participante internacional, um armênio de Yerevan. ********O COELHO é um projeto dos mais polêmicos. No palco do São Luiz, o jovem MARCELLO SAMPAIO foi muito aplaudido ao anunciar que seu filme apostava no “empoderamento da mulher”. Quando o curta, que se passa no seio de uma família na qual as mulheres são dominadas por um pai autoritário, terminou, o clima era de perplexidade. Afinal, O COELHO tem dois ingredientes básicos: sexo e violência. A sinopse diz que “Laura, menina de onze anos, receberá lição do pai, José, para atirar em um coelho, fato que desencadeará a desintegração do poder patriarcal”. “Será”– se perguntaram muitas mulheres — “que para se chegar ao almejado empoderamento, a violência será o caminho?”

Enviado do Ipad de Rosário

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