HISTORIAS DE ALICE, DO CINEASTA E PROFESSOR
MINEIRO-CARIOCA OSWALDO CALDEIRA

+ HISTÓRIAS DE ALICE
(OSWALDO CALDEIRA)

Dia destes, recebi um e-mail do cineasta e professor de cinema (creio que da UFRJ), Owaldo Caldeira, me convidando a assistir ao filme HISTORIAS DE ALICE, longa dele que estava em momento de estreia. Uma co-produção Brasil-Portugal, filmada em grande parte no país ibérico. Mineira(da pequena Coromandel-MG, ele de capital, BH), acabei acompanhando, de longe, a carreira inteira do cineasta conterrâneo. Gosto de “Afonsinho Passe Livre”, tema de um dos brilhantes capítulos de CINEASTAS E IMAGENS DO POVO, livro seminal de Jean-Claude Bernardet, e de “O Grande Mentecapto”, adaptação de Fernando Sabino (apesar dos problemas com a barba do personagem central, interpretado por Diogo Vilella). Assisti a “Ajuricaba, o Rebelde da Amazônia, num Festival de Brasília, nos anos 1970 (e o filme envelheceu mal). Acho
O BOM BURGUÊS um filme muito ruim. O mesmo caso de “Tiradentes” (com Humberto Martins). Os documentários boleiros de Caldeira ( Futebol Total, com Carlos Leonan, e Brasil Bom de Bola 78 (este produzido por Carlinhos Niemeyer) são regulares. Mesmo caso de “Muda Brasil” (sobre o alvorecer da Nova República). Quando Bernardet lançou nova edição de CINEASTAS E IMAGENS DO POVO, o Almanakito serviu de espaço de difusão das reflexões de CALDEIRA sobre as ideias do professor e ensaísta uspiano (hoje dedicado à carreira de ator). Só pude ver HISTORIAS DE ALICE, ontem, no Espaço Itaú Frei Caneca. Com a vida de ponta cabeça, nada tinha lido sobre o filme. Uma entrevista que fosse do realizador mineiro-carioca, nada, nada. Daí que fiquei
surpresa com a delicadeza do filme, com seu ótimo elenco (liderado por grandes atores portugueses e nosso Leonardo Medeiros), com sua trama que entrelaça histórias de portugueses e brasileiros, discute (sem chatices metalinguísticas) o próprio cinema e trabalha um plot policial. Mas trata-se, realmente, de um filme sobre a memória. Sobre as verdades e mentiras que ela (nossa memória) constroi ou embaralha. Havia seis pessoas na sala. De lá segui para o CineSesc e conversei com alguns amigos críticos e jornalistas. Nenhum deles vira o filme, nem soubera de cabines. Por sorte, ele ganhou MAIS UMA SEMANA (de sobrevida) no mesmo Frei Caneca.
Recomendo HISTORIAS DE ALICE, cuja narrativa nos arremessa, com delicadeza, nos desvãos de nossas memórias (principalmente a dos mineiros), nos coloca em contato com o delicioso e chiado acento lisboeta e nos brinda com a belíssima fotografia de Antônio Luiz Mendes. Os mais exigentes, claro, sentirão falta de maior espessura. Mas o filme não merecia, jamais, estrear em um só horário, sem nenhuma divulgação. Perto do modernoso e banal ZOOM é um grande filme. Sessão no Espaço FREI CANECA, 18h30, ao longo desta semana. Alguém sabe me dizer se o filme estreou no Rio e em MG, estado natal do cineasta-professor?????

… Ah, curtam a saborosa participaçao de

TONICO PEREIRA. GRANDE TONICO.

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