ALMANAKITO (SANTOS, LITORAL PAULISTA – 18-12-12) + BILHETERIAS +

Artigo de André Sturm na Folha de S. PAULO
ESTÁ NO FINAL DESTA REMESSA. OK?????
 

ALMANAKITO

CAIÇARA 18-12-12

— Bilheterias Brasileiras

— Texto de André Sturm, na Folha de SP (veja nesta remessa) sobre a monocultura (hegemonia total dos blockbusters em nosso mercado de apenas 2.536 salas). Recomendo a leitura. O texto rendeu cartas de leitores na Folha,. Sturm é o único cineasta brasileiro que tem coragem de pedir a taxação de filmes lançados com 700, 800, 900 ou mais de mil cópias (como acontece na Argentina)

— Hoje, meia-noite e quinze, tem Jorge Amado na TV Record . Na quinta-feira, creio, tem “A Tragédia da Rua das Flores”, baseado em Eça de Queirós. A produtora responsável por estes especiais fará, pelo que entendi ao ler na coluna de TV (creio que da Padiglione) fará, em 2014, um especial sobre Dorival Caymmi (cujo centenário será lembrado)

— “Marighella”, que conquistou o Prêmio APCA 2012 de melhor biografia, já vendeu 27 mil exemplares (Na coluna do Ancelmo, O Globo, 13-12-12).

— Louis Garrel no CCBB (janeiro)

LADO A LADO:

Me avisem quando sair a trilha sonora desta telenovela. OK?? Há tempos que estou para comentar um aspecto positivo da novela supervisionada por Gilberto Braga: o senador interpretado por Werner Schunneman (cineasta e ator gaúcho). Ele é honesto, tem qualidades e defeitos. Mas não sataniza a imagem do político.Houve outro senador (não-reeleito), na novela (interpretado por Cássio Gabus Mendes) que usava o cargo em proveito próprio. Mas o personagem de Werner faz um contraponto….. O que infelizmente, não vem fazendo o CQC. Vi várias edições deste programa de Marcelo Tas & equipe quando ele estreou. Muitas vezes, no Almanakito, elogiei boas edições deste humorístico. Depois, parei de ver por causa das viagens, da correria da vida, ou do “Roda Viva” (quando o entrevistado me interessava) etc… Ontem, por causa do triunfo do Corinthians, sintonizei o programa. Não cheguei à metade. O programa caiu de nível de forma absurda. Tornou-se apelativo, grosseiro… O apelo a termos chulos chegou a nível insuportável... E a demonização da POLITICA??? É total. Sem nenhum contraponto!!!!

 Quem ganhou o Festival Pirelli de Cinema Italiano???

— TEOREMA E A CRITICA — Nova edição da revista Teorema reflete sobre a Crítica Cinematográfica e traz texto de Fatimarlei Lundardelli sobre o seminário “Paulo Emilio e a Crítica Cinematográfica”, realizado no Fest Brasília 2012.

— O Som ao Redor (que estreia dia 4 de janeiro) concorre ao Prêmio Tropical, nos EUA, e está entre os dez melhores filmes de 2012, na lista de A.O. Scott (do NYTimes).

— “No”, de Pablo Larraín, venceu o Fest Havana 2012.

— Corinthians campeão do mundo. Vi, ontem, segunda-feira, no Globo Esporte, um clipe samurai-corinthiano, maravilhoso!!! Em uns 4 minutos, a montagem alternou guerreiros japoneses e os coringões na luta contra o milionário Chelsea. Assistam, na internet, pois é emocionante e muito bem montado!!! Há outro clipe, com “versão corinthiana” de música de Tim Maia. É bom, mas sem a sofisticação do clipe samurai. Banzai Corinthians.

  • ·“REFERENDO”,  DE JAIME LERNER.
  •  Neste momento em que o mundo se espanta com mais uma tragédia nos EUA (massacre em escola) é mais que chegada a hora de vermos “Referendo”, do gaúcho Lerner.

PEDRO & BIA

(SÉRIE DE CAO HAMBURGER & TRUPE, NA TV CULTURA, TODOS OS DOMINGOS, 14h30).

 GONZAGÃO NA IMPRENSA:

Recebi, de Carlos Marcelo, ótimo  material de O Estado de Minas, sobre Gonzagão. Nas vésperas (09-12-12) do Centenário (13 de dezembro), o EM deu ilustração de Gonzagão, fardado, com sua sanfona e a bandeira mineira hasteada ao fundo. Isto porque a matéria mostra que “TEM UAI NO BAIÃO – Antes de conquistar o Brasil com sua música, Luiz Gonzaga viveu em Minas Gerais por sete anos. Em BH, Juiz de Fora e Ouro Fino, ainda nos anos 30, o sanfoneiro aprimorou sua arte”. De 10 a 13, reportagem especial da Editoria de Economia mostrou O BRASIL DE GONZAGA. “Vida do Viajante” serviu de epígrafe para “Rotina de Pó, Asfalto e Rede (dia 10).  “Algodão” foi epígrafe de Terra do Ouro Branco (dia 11). “Feira de Caruaru” foi epígrafe de “Mercadores de Pão e Sonhos” (dia 12).  A série foi concluída no dia 13. Sob os versos de ABC do Sertão, vem a “Lição de Desenvolvimento”. Material dos repórteres Paulo Henrique Lobato & Luiz Ribeiro (que correram estradas mineiras e nordestinas) + Marta Vieira.

RECOMENDAÇÕES

DE LEITURA:

1.                               Baixo crescimento, ideologia, pensamento, de Bresser Pereira (17-12-12. FSP)

2.                               Argentina e caso Clarín: não é bem assim (Luiz Gustavo de Carvalho) – 17-12-12 (Folha de SP)

3.                               A Fabulosa Fábrica de Partidos (incrível matéria da repórter Daniela Lima, FSP, 17-12-12).

4.                               Coluna de José Roberto Toledo (Estadão 17-12-12: no Estadão).

5.                               Armas de fogo nos EUA, coluna de Lúcia Guimarães (Estadão, 17-12-12)

UGO GIORGETTI

No último domingo (16-12-12), Ugo Giorgetti escreveu, em sua coluna BOLEIROS (no Estadão), belo texto sobre Brasil e Argentina (a partir do jogo do São Paulo X Tigre. Um texto sem a amargura que marca (e às vezes resvala para o cinismo!) algumas das crônicas do diretor de “Boleiros” e  “Cara ou Coroa”. Ele reflete sobre o abandono do campo, no segundo tempo, pelo Tigre. Texto doloroso, mas que nos faz refletir!

 MARCUS VILAR

O cineasta paraibano, Marcus Vilar, autor de vários curtas (incluindo “A Canga”) e do longa documental “O Senhor do Castelo” (sobre Ariano Suassuna) venceu o Edital de Produção, promovido pelo Funjope – Fundação Cultural de João pessoa) na categoria longa-metragem, com projeto de filme sobre JACKSON DO PANDEIRO. Há anos ele vem coletando material para este filme, mas faltava aporte financeiro. Agora chegou. Tomara que ele faça um filme BEM-HUMORADO. Pois Jackson e sua música eram bem- humorados. E Vilar é bem-humoradíssimo. O Edital atribuiu Prêmios a  curtas também. Aguardem um perfil de Marcus Vilar.

COLEÇÃO APLAUSO: NOVOS TITULOS:

Cida Moreira, Jair Rodrigues, Adelaide Chiozzo, entre outros.

 

BILHETERIAS

BRASILEIRAS:

Fonte: Boletim Filme B

Data: 18-12-12

Assinaturas: filmeb@filmeb.com.br

 

Os Penetras…………………………………………..1.465.959 (média 795)

Até Que a Sorte Nos Separe…………………..3.368.848

Gonzaga de Pai para Filho…………………..1.439.043

 

Diário de Tati……………………………………………210.584

Tropicália…………………………………………………..75.000

Era Uma Vez Eu, Verônica………………………….15.514

 

Boca………………………………………………………………11.193

5 X Pacificação………………………………………………3.587

Contestado……………………………………………………..1.407

 

OBSERVAÇÕES:

1.   O Hobbit foi, pelo menos na estreia, nocauteado pelo Corinthians. Fez média de 686 espectadores para cada uma de suas quase mil cópias. No total, deu 670.816 espectadores. Ou seja, fez média menor que Os Penetras em sua terceira semana .

2.    A campanha de lançamento do francês INTOCAVEIS, que já vendeu mais de um MILHAO de ingressos no Brasil (está em cartaz há quase 20 semanas) rendeu prêmio à CALIFORNIA FILMES, na categoria (filme lançado com memos de 199 cópias).

3.   Gonzaga de Pai para Filho está em cartaz em apenas 50 salas (a maioria no Nordeste)!!! No dia 13 de dezembro, Breno Silveira deu entrevista ao jornal A Tribuna (de Santos) e lamentou a BRUTAL perda de circuito sofrida pelo filme…

BERNARDET:

Consultem o site de Jean-Claude Bernardet. Telegráfico, ele dá dicas e faz micro-comentários inteligentíssimos!!!!

 

LEI DO CABO:

Tem emissora que quer ficar isenta do cumprimento da Lei do Cabo (menos de 3 horas semanais com produção brasileira no horário nobre). Outras, como a prestigiada BBC, já resolveram o problema. A BBC comprou, entre outros títulos, o longa documental que homenageou o centenário de Noel Rosa e teve Paulo Miklos como mestre-de-cerimônia.

BALZAC E A COMEDIA HUMANA:

Em novo lançamento, pela Editora Globo (selo azul), da monumental obra do mestre francês. Criador de um dos maiores romances do mundo: “Ilusões Perdidas”

XINGU NA GLOBO:

 Minissérie em 4 capítulos, na Globo, a partir de terça-feira, 25 de dezembro. De Cao Hamburger.

HOJE, NA TV BRASIL:

Observatório da Imprensa (Alberto Dines): 20h00.

Samba na Gamboa (Diogo Nogueira): 22h00.

 

PREMIO PARANAENSE PARA

CONTOS DE TORERO

JOSÉ ROBERTO TORERO VENCEU PREMIO LITERARIO DO PARANÁ COM NOVO LIVRO DE CONTOS.

 

FEST DIREITOS HUMANOS

PERCORRE O BRASIL:

NÃO PERCAM

 “PERDI MEU CORAÇÃO

EM YAMBO”, DOCUMENTARIO EQUATORIANO NA MOSTRA DIREITOS HUMANOS, CUJO CURADOR é XIKINO CESAR FILHO*********************

Tendências/Debates:

A ocupação das telas de cinema

ANDRÉ STURM

No dia 15 de novembro, estreou a última parte da saga Crepúsculo no país. O filme entrou em 1.213 salas ao mesmo tempo.

Afinal, tantas pessoas querem ver o filme? Essa quantidade de salas é algo realmente necessário?

O Brasil tem cerca de 2.200 salas. Ou seja, um único filme ocupa cerca de 60% dos cinemas do país!

Se considerarmos que o novo filme 007 está em outras 400, temos mais de 1.600 salas (75% do total) com apenas dois filmes em cartaz.

Quem quer ir ao cinema é quase empurrado para ver um desses títulos. Não é o caso de pedir a ação dos órgãos que deveriam garantir a concorrência, que deveriam evitar o monopólio, a concentração? Quando a Nestlé quis comprar a Garoto e ficar com 70% do mercado de chocolate, houve um enorme debate, que movimentou órgãos do governo.

Dois filmes podem ter 75% das salas? Nesse caso, ainda temos a questão da diversidade –afinal, mesmo sendo um negócio, o cinema envolve diversos aspectos culturais.

É assistindo a filmes que muitos dos hábitos e costumes são formados. Foi através do cinema que os Estados Unidos, a partir dos anos 1950, impuseram os seus hábitos ao mundo, por exemplo, e isso obviamente tem implicações econômicas. Com os filmes, veio o “american way”. Todo mundo passou a usar jeans, comer hambúrguer e escutar rock.

Não se trata de xenofobia ou discurso antiamericano. Mas o capitalismo prevê mecanismos para evitar excessos. No mercado de cinema, não se vê isso.

Para exemplificar: em 2005, Harry Potter 4 fez 4,3 milhões de ingressos com 550 cópias. Em 2007, o quinto filme fez 4,2 milhões com 787 cópias. Em 2010, o sexto fez 4,3 milhões com 861 salas. Ou seja, não houve aumento de público e o número de telas aumentou 60%.

Não parece evidente que o aumento de ocupação de salas serve para diminuir a concorrência? Quanto mais cópias, maior o investimento em publicidade. E, portanto, maior o impacto na decisão do consumidor.

Fica cada dia mais difícil competir. O alto gasto de recursos em publicidade para impedir a concorrência é outra prática irregular. A digitalização tornará isso ainda mais cruel. Não haverá o custo de cópia para inibir a ampliação do número de telas. Poderemos ter, no limite, um filme lançado em todas as salas!

Urge que os órgãos tomem uma atitude. Eu gosto de pizza, eu gosto de hambúrguer. Mas também de comida francesa e tailandesa.

Eu quero poder ter a chance de chegar num cinema de oito salas e ter pelo menos oito filmes em cartaz para escolher. Isso não é do interesse apenas dos produtores nacionais que não conseguem exibir seus filmes. É do interesse do consumidor que não tem opções.

O país não pode permitir a exploração de seu mercado de maneira predatória, deixando corações e mentes de todos submetidos a um produto pasteurizado e global.

ANDRÉ STURM, 46, é cineasta e diretor-executivo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS). Foi diretor do Cine Belas Artes