CINE PE 2012- BALANÇO
DA XVI EDIÇÃO DO
FEST RECIFOLINDA

 Por Maria do Rosário Caetano

Almanaque de Rô Caetano – E colaboradora da

Revista de Cinema e do semanário Brasil de Fato 

 

 PREMIADOS DO CINE PE 2012

 

À Beira do Caminho (Breno Silveira – RJ) – melhor filme, pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular, melhor ator (João Miguel),  roteiro (Patrícia Andrade), coadjuvante (Vinícius Nascimento), Prêmio Gilberto Freire.

 

Boca (Flávio Frederico – SP) – melhor diretor (Flávio Frederico), melhor atriz (Hermila Guedes), trilha sonora (Bid), direção de Arte (Alberto Grimaldi)

 

Paraísos Artificiais (Marcos Prado, RJ) – Fotografia (Lula Carvalho), atriz coadjuvante (Divana Brandão), montagem (Quito Ribeiro), edição de Som (Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima e Armando Torres Jr)

Estradeiros (Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira – PE) – melhor filme pelo Júri Abraccine (Associação Brasileira de Críticos Cinematográficos)

 

Jorge Mautner – O Filho do Holocausto (Bial e Dalincourt-RJ) – Prêmio Especial para Jorge Mautner.

 

Nas Quebradas das Águas Perdidas (    – PE) – Melhor longa-Metragem pela Federação Pernambucana de Cineclubes.

 


MOSTRA COMPETITIVA

DE CURTAS-METRAGENS

”Até à Vista” (Jorge Furtado – RS): melhor filme, roteiro (Jorge Furtado), ator (Felipe de Paula), trilha sonora (Everton Rodrigues)

“L” (Thaís Fujinaga – SP): melhor direção (T. Fujinaga), fotografia (André Luiz de Luiz), atriz (Sofia Ferreira), direção de arte (Amanda Ferreira), Prêmio ABD-PE & APECI

Depois da Queda (Bruno Bini-MT) – melhor montagem (Bruno Bini), Prêmio do Júri Popular.


Dia Estrelado  
(Nara Normande-PE) – melhor edição de som (Pablo Lamar)
 
A Fábrica
 (Aly Muritiba – PR) – Prêmio Especial do Júri:

Isso Não é o Fim (João Gabriel – BA-SP) – Prêmio do Júri Abraccine (Associação Brasileira de Críticos Cinematográficos)

Di Melo-O Imorrível (Alan Oliveira e Rubens Pássaro – PE/SP)
Prêmio Aquisição Canal Brasil (no valor de R$15 mil e exibição no Canal 66)

 

Na Sua Companhia (Marcelo Caetano –SP) – Prêmio ABD-PE & APECI


Qual Queijo Você Quer? (Cíntia Domit – SC) – 
Prêmio Federação Pernambucana de Cineclubes
 
MOSTRA DE CURTAS

PERNAMBUCANOS

Melhor filme: “Poeta Urbano” (de Antônio Carrilho)“por revelar as sinceras entranhas da poesia urbana”.

– Menções honrosas para o filme “Koster”: ao ator Sérgio Menezes e ao diretor de arte, Dantas Suassuna (pela erudição da pesquisa e pela fantasia nas soluções).

– Menção honrosa para Sandra Possani, atriz do filme “Canção para Minha Irmã”.

 

            

PREMIO ALMANAQUE — O Prêmio Almanaque número 107 (Ano X), deste mês de maio de 2012,  vai para dois cineastas que estão desenvolvendo, em parceria, trabalho de ponta no Recife: Renata Pinheiro & Sérgio Oliveira. No começo do ano, os dois ganharam o Prêmio Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) com o curta “Praça Walt Disney”. Agora, no CINE PE, recém-encerrado, ganharam novamente o Prêmio Abraccine (desta vez de melhor longa-metragem) com o documentário “Estradeiros”.  Neste filme, um ensaio poético (fotografado pelo parceiro de muitas caminhadas, Pedro Urano, e musicado pelo craque DJ Dolores), Renata & Sérgio registram as andanças (por Brasil, Argentina, Peru e outras estradas latino-americanas) daqueles que não querem saber de escravizar-se ao consumismo, nem aos sedutores confortos burgueses. Renata causou sensação em vários festivais com o curta “SuperBarroco”, protagonizado por  Everaldo Pontes. O ator paraibano teve sua interpretação banhada em belas projeções/transparências. O impacto do filme, que foi a Cannes, se fez sentir. Lúcia Murat disse, em debates em Paulínia e Gramado, que seu premiado “Uma Longa Viagem” dialoga com as transparências de “SuperBarroco”. Juntos, Renata & Sérgio devem continuar fertilizando e revitalizando o cinema brasileiro.

 

O MELHOR CURTA (CANAL BRASIL) – O Cine PE  contou com uma boa safra de longas, marcada pela pluralidade das narrativas (foi de propostas clássico-emocionais como “À Beira do Caminho” até as ousadias poéticas de “Estradeiros”). Teve, também, uma boa safra de curtas-metragens. De tudo que vi lá, o que mais me entusiasmou foi o curta “Di Melo – O Imorrível”, do pernambucano Alan Oliveira e do campineiro Rubens Pássaro. O júri oficial ignorou o filme. Ele só ganhou o Prêmio Aquisição do Canal Brasil. Ainda bem, pois encontrará vitrine no Canal 66. Que, aliás, pode ajudá-lo a transformar-se num longa. O filme mostra a trajetória de Di Melo, um cantor pernambucano, radicado em SP, que gravou um disco na Odeon, em 1975. De um lado, black music, do outro MPB. Não fez sucesso e sumiu do mapa. Mas tornou-se cult. O titã Charles Gavin até resgatou seu LP para o CD. O curta de Alan & Pássaro seria mais um, se não tivesse criado imensa intimidade com Di Melo e sua incrível mulher (uma baiana arretada). Tudo funciona na narrativa: os depoimentos são ótimos (um doc musical sem Nelson Motta!!!!), as imagens são poderosas, os diálogos apimentadíssimos e nada apelativos. A família Di Melo completa-se com uma menininha (filha do casal) danada e muito esperta. Os dois diretores têm, ainda, rico material no acervo/arquivo (inclusive depoimento do grande músico Heraldo do Monte, que conta o que era a vida de um instrumentista de estúdio na poderosa indústria fonográfica dos anos 70). Aguardemos, pois, versão para TV (52’) ou em longa-metragem.

 

JORGE FURTADO “Hasta la Vista, Baby” – O júri encantou-se com o novo curta de Jorge “Ilha das Flores” Furtado. O cineasta gaúcho, ocupado com a produção de um quadro do Fantástico (Daniel Oliveira & Fernanda Freitas), não pôde ir a Recife. “Até a Vista”, seu curta, é irresistível. Sem abusar da metalinguagem (mas esbanjando bom humor) ele conta a história de um jovem gaúcho que vai à Argentina, na cara de pau, comprar os direitos autorais de livro que deseja levar ao cinema. O autor, Borges Escudero, aceita vender a obra, desde que o pagamento consista numa viagem afetiva ao Brasil. A uma região muito especial do Brasil, onde Dira Paes interpreta uma fogosa prostituta. O filme se passa em Porto Alegre, Buenos Aires e Belém do Pará. Tem algo de auto-biográfico (mais tarde, Furtado, ao contrário de seu frustrado personagem se daria bem e adaptaria “Luna Caliente”, de Mempo Girardinelli). As preocupações do jovem cineasta (interpretado pelo ator Felipe de Paula, Trofeu Calunga) em pedir recibo para prestação de contas (até à prostituta) arrancou gargalhadas gerais. Um filme simpático, inteligente, um  saboroso diálogo Brasil-Argentina. Aliás, produzido pelo Canal TNT, por Juan “Segredo dos Seus Olhos” Campanella, e com um ótimo ator portenho na jogada: o veterano Salo Pasik.

 

AFRICA EM PERNAMBUCO – O Cine PE 2012 começou com a exibição de dois filmes moçambicanos em mostra informativa: “Lágrimas” e “Feitiço”, ambos de Júlio Silva. O Casal Bertini (Sandra & Alfredo) tem mantido parceria constante com a África Portuguesa.

 

PROBLEMAS NA PROJEÇÃO – Ano passado, problemas provocados por chuvas torrenciais (sim, no Recife/Olinda!) e programação imensa esgotaram os participantes do Cine PE. Foi uma maratona das mais estressantes. Este ano, para dar mais agilidade ao festival, Sandra & Bertini enxugaram a grade de filmes e as longas cerimônias de cada noite. Mas problemas de projeção (com dois longas e alguns curtas) causaram novos contratempos. Dois filmes tiveram que ser reprisados (À Beira do Caminho, o melodrama estradeiro de Breno Silveira, e “Boca”, o “noir-nouvelle vague-estilizado” de Flávio Frederico). O primeiro, por graves problemas no som. O segundo por falha humana (o operador trocou a ordem dos rolos do filme). Alguns diretores de curta reclamaram de problemas pontuais na exibição. Outros deram sorte e adoraram som e imagem projetados na enorme tela do Cine-Teatro Guararapes (2.500 lugares). Problemas técnicos existem em todos os festivais. Em Veneza, sessão de “Bamboozled – A Hora do Show”, de Spike Lee, trocou rolos com “outro” filme (os astros black de Lee se misturaram sem que nem porquê). Em Brasília/1988, “Anjos da Noite”, de Wilson Barros, foi exibido com rolos trocados (o público, por causa da montagem fragmentada, não percebeu. O filme venceu o festival candango). Este ano não houve – no Cine PE — sessões abarrotadas (como as de “Central do Brasil” e “Eu Tu Eles”, anos atrás: cada uma mobilizou quase 3 mil espectadores). Houve até sessões com meia casa. O fato foi atribuído à overdose da agenda cultural recifolindense, que foi de Paul McCartney a Chico Buarque, de shows de rock a grandes espetáculos teatrais. Será? Por que esta edição — de número 16 — que teve a melhor programação,  não teve lotações dignas da fama do “Maracanã dos festivais”? Talvez seja o preço do ingresso: 8 e 4 reais. Se eu fosse o Casal Bertini, baixava para 4 e 2. Afinal, não há prazer maior que ver 2.500/3.000 assistindo, vibrando  (ou até vaiando) um filme.

 

IMPRENSA & HOMENAGEADOS – Os três homenageados deste ano, no Cine PE, foram tema de grandes matérias na imprensa pernambucana. Aliás, há que se registrar as ótimas coberturas dos jornais Diário de Pernambuco (André Dib), Jornal do Comércio (Ernesto Barros) e Folha de Pernambuco (Luiz Joaquim). O maior espaço, este ano, foi dado pelo Diário de Pernambuco. A parte factual ficou restrita à internet (inclusive a Bolsa de Cotação dos Críticos). Na edição impressa houve páginas inteiras para Fernando Meirelles e Cacá Diegues exporem suas idéias. Mas Jornal do Comércio e Folha de Pernambuco também abriram bons espaços ao Cine PE conhecido como “o Maracanã dos festivais” (expressão difundida por homenageado do ano passado, o jogador e “ator” Pelé). O terceiro homenageado, Ney Latorraca, constituiu caso à parte. Até quem perde a paciência com seus excessos (o nome exato são suas “frescuras”) encantou-se com as verdades contidas em sua longa coletiva à imprensa. No meio do seu besteirol geral, havia muita experiência de vida e amor a seu ofício (à arte da interpretação).

 

 

VINICIUS, O “IMPROVISADOR” – Um moleque baiano encantou a todos, no Cine PE,  por seu desempenho em “À Beira do Caminho”: o jovem Vinícius Nascimento. Ele não se inibiu em tratar de “igual para igual” seu grande parceiro, o craque João Miguel (também baiano). No debate do filme, Vinícius, revelado em “Opaió”, de Monique Gardenberg, contou  — como se fosse um veterano e não um moleque de 11 anos – que ele e João Miguel “improvisaram muito”. Para surpresa de Breno Silveira (que não endossou de todo a chinfra do menino). Vinícius disse que “nem deu bola para o roteiro escrito”.

 

DIVANA BRANDÃO – A atriz Divana Brandão, a Yara de “A Dança dos Bonecos” (Helvécio Ratton/1986), que passou por novelas como “Corpo Santo” (de José Louzeiro, na Manchete), reapareceu em Recife como integrante do elenco do longa “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado. Neste filme, ela interpreta a mãe de dois jovens, um que sai da cadeia (por tráfico de droga) e outro que está se introduzindo no mundo das drogas sintéticas. A atriz contou na coletiva de imprensa de “Paraísos Artificiais” que, depois de muitos trabalhos na década de 80 (no cinema e na TV), veio a Era Collor (e o fim da Embrafilme e do Concine). Os trabalhos cinematográficos rarearam. Ela foi, então, trabalhar com Betinho, no projeto Ação pela Cidadania. Com ela, no elenco, estão Nathalia Dill (da novela “Avenida Brasil”) e Lívia de Bueno (da série “Oscar Freire”). O protagonista, Luca Bianch, era atleta do judô até descobrir sua vocação de ator.

 

BÚFALOS NAS FALESIAS – No Cine PE, houve quem se espantasse (como eu) com a presença de dezenas de búfalos em ambiente paradisíaco (falésias do litoral alagoano) na seqüência em que as personagens de Nathalia Dill e Lívia de Bueno consomem peyote (a primeira tem pesadelos; a segunda, não). Os pesadelos da DJ interpretada por Nathalia a levam a deparar-se com búfalos ameaçadores (depois com um lagarto verde). Marcos Prado garantiu que tudo era real, que levou os búfalos para as falésias. Que não recorreu aos recursos possíveis/acessíveis com o mundo das imagens digitais. Continuei não acreditando. Buscar búfalos no Pará, levá-los a locação tão “frágil” quanto as falésias, etc, etc. Fui falar com ele, depois, e ele reafirmou que não há nenhum truque naquela seqüência. Que, aliás, ele confessou, numa boa, inspira-se em “The Doors” (1991/Oliver Stone). Outras influências admitidas por ele: “9 Canções” (Winterbotton) e “Réquiem para um Sonho”. O filme foi fotografado por Lula Carvalho (Troféu Calunga) em Super-16.

 

JURI TRADICIONAL – O júri, presidido pelo cineasta João Batista de Andrade (e formado com a atriz Virgínia Cavendish, a professora Irene Ferraz, a técnica Edina Fuji, o ator Jaime Del Cueto, o roteirista Nélson Costa Rego Caldas Filho e o radialista Alberto Pioto) preferiu apostar em narrativas mais clássicas. Priorizou a ficção e deixou o documentário a ver navios (deu um prêmio especial a Jorge Mautner, não ao filme “O Filho do Holocausto”). Para o belo e inventivo “Estradeiros” nada. Idem para “Nas Quadradas das Águas Perdidas” (um perfeito fic-doc). A maior parte dos prêmios foi para o melodrama “À Beira do Caminho”, de Breno Silveira. O segundo filme mais premiado foi “Boca”, um “noir-nouvelle-vague-estilizado”, que ousa no terreno da linguagem, mas sempre atento ao diálogo com o público. O terceiro mais festejado foi “Paraísos Artificiais”, que conquistou 4 prêmios técnicos. O longa de Marcos “Estamira” Prado parte de um tema ousado (o consumo de drogas sintéticas pela juventude que freqüenta ‘raves’), mas termina aparando todas as arestas, como um bom filme família (depois das tempestades, a catarse da bonança). Com cenas de nudez (que exploram o belo corpo de Nathalia Dill) e muito sexo (incluindo carícias lésbicas), “Paraísos Tropicais” (ambientado no Rio, no Nordeste e na Holanda) namora o fashion. E o público descolado e moderninho.

 

BERTINIS NA FICÇÃO (Danou-se) – Depois de produzir “Sons da Esperança”, documentário sobre a Orquestra Cidadã (dos Meninos do Coque) dirigido por Zelito Viana, o Casal Bertini vai se aventurar na ficção. Adriana Falcão e Nélson Costa Rego Caldas Filho, ambos roteiristas com serviços prestados à dramaturgia da Rede Globo (principalmente ao Núcleo Guel Arraes) estão finalizando o roteiro de “Danou-Se”, um road movie nordestino, em tom de comédia, que relatará experiência vivida por Sandra, Bertini, um bebê e dois cunhados dentro de um fusca (na década de 80). O músico (Sepultura), ator (Os Desafinados), trilheiro (Lisbela e o Prisioneiro) e diretor (de dois curtas, sendo o último o hilário “MPB: A História que o Brasil Não Conhece”) vai dirigir “Danou-se”. A produção terá os Bertini (por Pernambuco), Oswaldo Massaíni (em SP), e Jal Guerreiro (no Rio). O projeto visual (cartaz e vinhetas de apresentação) será de Fernando Pimenta. No elenco, já confirmados: Bete Mendes, Fabiana Carla, Aramis Trindade, Lúcio Mauro Filho, Ana Carolina (de O Carteiro), João Carlos Sampaio (crítico baiano, estrela do curta “MPB”, que fará um pai de santo), entre muitos outros. Os protagonistas, na casa dos 20 anos, ainda não foram escolhidos.

 

CORDA BAMBA (INFANTO-JUVENIL) – Num país carente de filmes infantis como o Brasil, deparar-se com um longa como “Corda Bamba – História de Uma Menina Equilibrista” na competição de um festival é mais que animador. O longa de estréia do carioca Eduardo Goldstein (do ótimo curta “Truques, Xaropes e Outros Artigos de Confiança”/2003), baseia-se em livro homônimo de Lygia Bojunga. À frente do elenco, no papel da bailarina, Bia Goldstein, filha do cineasta. Com ela, dois craques: Augusto Madeira e Cláudio Mendes. Mais Stella Freitas, Gustavo Falcão, Georgiana Góes e Sílvia Aderne (hoje integrante do Cirque de Soleil). O filme é delicado, onírico e muito bem fotografado (por Guy Gonçalves). Só deve ter diálogo limitado com o público porque tem marca autoral e aposta mais na melancolia que no lúdico. Mesmo assim, um filme digno, que merecia ao menos uma Menção Honrosa do júri.

 

CACÁ DIEGUES & JORGE DE LIMA – Cacá Diegues, que está comemorando 50 anos de cinema (e 72 de vida) está preparando “O Grande Circo Místico”, baseado na versão cênica criada por Chico Buarque e Edu Lobo (que gerou a obra-prima “Beatriz”) para o poema de Jorge de Lima. No filme, Lázaro Ramos fará o mestre de cerimônia. Em longa (e concorrida) conversa com a imprensa, Diegues confirmou que está enxugando suas memórias, que sairão em livro, pela Objetiva, “ainda este ano”. Ele está enxugando o texto, que chegou a ter 900 páginas. Espera não passar das 500.

 

VIDA NA CAATINGA – O público do Cine PE recebeu com aplausos o segundo representante de Pernambuco: o ficcional (com alma de documentário) “Nas Quadradas das Águas Perdidas” (nome de uma composição do mestre Elomar Filgueiras de Mello, que encerra o filme). Claro que alguns espectadores se impacientaram com a narrativa feita de imagens, música, um só ator, paisagem seca e muitos bichos. Elomar & Geraldinho Azevedo colaboraram na trilha, feita na quase totalidade por um dos diretores, Wagner Miranda (do grupo Matingueiros). Ele e seu colega de direção, o cineasta Marcos Carvalho, atuam em Petrolina, cidade pernambucana que faz fronteira com a baiana Juazeiro, terra de João Gilberto. A cidade petrolineira vem se constituindo em um dos mais requisitados cenários do cinema brasileiro. Lá, Breno Silveira fotografou parte de “Eu Tu Eles”. E agora voltou para muitas seqüências de “À Beira do Caminho”. Um registro sobre “Nas Quadradas das Águas Perdidas”: o sargento-biólogo Josenilton Rodrigues, do Parque Zoobotânico da Caatinga (zôo do 72o. BI -Batalhão de Infantaria Motorizada), que ajudou os dois diretores (e a Matheus Nachtergaele) no manuseio dos animais (alguns vindos de cativeiros, pois são espécies caatingueiras em extinção), compareceu à sessão do filme no Cine Teatro Guararapes e ao debate com a imprensa.

 

FESTIVAL DE ATORES – O Cine PE 2012 foi o festival dos atores. Três dos 4 filmes de ficção tinham personagens masculinos fortíssimos (qualquer um deles poderia ganhar o Troféu Calunga: João Miguel, em À Beira do Caminho (o vencedor), Daniel Oliveira (na pele do rei da Boca do Lixo, o bandido Hiroito Joanides, explorador da prostituição e do tráfico de drogas) e Matheus Nachtergaele (na pele de um caatingueiro, dizendo tudo só com seu corpo, pois “Nas Quadradas das Águas Perdidas” é soma de música e imagens, sem nenhum diálogo). O elenco masculino (e jovem) de “Paraísos Artificiais” dá conta do recado. Já as personagens femininas ficaram com Hermila Guedes (a vencedora), Nathalia Dill (a DJ fashion de “Paraísos”) e Dira Paes (apaixonada pelo personagem de João Miguel em À Beira do Caminho). Mas nenhuma delas teve, nas telas, que cumprir as exigências de atuação que couberam ao trio Miguel,Daniel, Matheus. O cinema parece continuar centrado em personagens masculinos. Isto só mudará, na minha opinião, quando mais mulheres assumiram a direção dos filmes.

 

ANGELI E O CINEMA BRASILEIRO –  O cartunista Angeli segue criando ótimos postais sobre filmes brasileiros. Patrocinado pela Petrobrás, ele vem atraindo espectadores mais jovens (e rebeldes) para filmes nacionais dos mais diversos gêneros. Ano passado, na Mostra Internacional de SP, ele causou sensação com cartum-postal que mistura “Carlota Joaquina” e “Cidade de Deus”. Enquanto dom João VI saboreia uma coxa de galinha, um moleque enfezado espera na porta. Carlota vem avisar: “ – João, tem cá um tal de Zé Pequeno a dizer que  galinha é dele!”. Este ano, novos postais se agregaram à safra anterior. O que mais chamou atenção (e foi até estampada em camiseta) foi o de “Raul, o Fim, o Início e o Meio”. Nota dez para este projeto Petrobrás, pois ele estimula público arredio a se interessar por nossos filmes (na TV, no DVD ou no cineclube).

 

ANTONIO “O HOMEM” DA MATA – Além do excelente “Di Melo – O Imorrível” e da deliciosa comédia “Até a Vista/Hasta la Vista” de Jorge Furtado, outros curtas merecem destaque. Os transgressivos “Isso Não É o Fim” (filmado com o lumpen da noite do Baixo Augusta), e “Na Sua Companhia”, de Marcelo “Bailão” Caetano (se este causou mal estar com sua narrativa povoada de personagens gays, isto se deu pela programação inadequada: passou na mesma noite do longa infanto-juvenil – “Corda Bamba – História de Uma Equilibrista). “L” e “Sonhando Passarinhos” são filmes inteligentes e envolventes (e que miram o publico infanto-juvenil). O alagoano “Km 58” e a animação pernambucana “Dia Estrelado” (um diálogo visual inspirado em quadro de Van Gogh) chamaram atenção pela força de suas imagens, mas seus roteiros mereciam ser melhor trabalhados. Na Mostra Pernambucana,  um filme se destacou: “Poeta Urbano” (de Antônio “O Homem da Mata” Carrilho). Não faria feio na competição nacional.

 

 

“PROMO” DE “CIDADE DE DEUS – 10 ANOS DEPOIS”  — Assistimos, no dia em que o Fest Recifolinda homenageou Fernando Meirelles ao promo do documentário “CDD – 10 ANOS DEPOIS”, de Cavi Borges & Luciano Vidigal. Um trailler espetacular do que virá. Boa qualidade técnica, imagens impressionantes. Até Rubens Sabino, o Neguinho, que foi preso depois da estreia do filme, aparece na porta da delegacia que o encarcerou (não se sabe se autorizará o uso desta sequência na montagem final!) dando seu depoimento. Os que se deram bem aparecem cantando (a turma da Melanina Carioca, com Roberta Rodrigues, Jonathan Haagensen, Cíntia Rosa, etc,  ou o Trio Ternura, de Thiago Martins) e/ou falando de suas carreiras como atores (Leandro Firmino da Hora, etc, etc). Os dois diretores procuram, também, o ator Jefechander Suplino (o Alicate, do Trio Ternura do filme), que está desaparecido. Familiares temem que ele tenha morrido no meio do tráfico de drogas. Felipe Silva, o molequinho catarrento da sequência do “chiqueirinho” (aquela em que Zé Pequeno ensina” Filé com Fritas” – Darlam Cunha a ser “bicho-homem”) está com 18 anos e trabalha como aprendiz num hotel. Ele, que atuou num curta delicioso de Alan Sieber, quer voltar a ser ator. Seu parceiro-mirim na sequência, Micael Borges, encabeça hoje o elenco de “Rebelde”, na Rede Record. Darlam Cunha, astro de “Meu Tio Matou um Cara”, de novelas da Globo e da série e filme “Cidade dos Homens” está no doc (será que me enganei??) com os braços cobertos de tatuagem…. Muitas reportagens saíram, nos jornais escritos, sobre o destino dos quase 100 atores do filme. Realizei uma delas, para o jornal Brasil de Fato, antes de “Cidade de Deus – 10 Anos” ganhar corpo. Depois, li ótimas matérias no Jornal da Tarde (Felipe Cruz), Diário de Pernambuco (André Dib: data: 11-04-12), Folha de Pernambuco (Luiz Joaquim), Folha de SP (29-04-12, de autoria de Matheus Magenta).Não há dúvida: Cidade de Deus, o controvertido filme de Fernando Meirelles, calou fundo no imaginário brasileiro. Além de vender 3.200.000 de ingressos, concorreu ao Globo de Ouro, a 4 Oscar, recolocou o cinema brasileiro nas lembranças de cineastas que nos visitam ou são instados a citar algum filme brasileiro, etc, etc. O filme de Borges & Vidigal, que deve estrear no Festival do Rio (outubro) compilará esta história e nos fará reencontrar com os neninos e adolescentes que fizeram de CDD um sucesso como há muito não víamos. Além de fertilizar os favela movies que o sucederam. Para arrecadar fundos para a finalização do filme, eles vão promover FESTA no Rio. Quem quiser ajudar na produção, pode depositar R$50 ou R$100 na cota da Cavídeo. Eu já dei minha modesta colaboração financeira!!!

 

ORQUESTRA CIDADÃ

PERGUNTO A BERTINI:

           Comento: Se vocês gravaram

primeiro o som e, depois, para

não criar ruídos, as imagens com

5 câmaras, isto é mais que justo.

Cinema, afinal, é

construção, não é?? Bjs rô

 

NOVO ESCLARECIMENTOS DE BERTINI — Oi Rô.Claro que, tecnicamente, esse seria o melhor procedimento. Ou seja, uma “construção” necessária à qualidade do concerto que é o ápice do filme/documentário. Mas, vale dizer, tudo feito com honestidade e ética. Vejamos agora a trajetória do doc em alguns festivais e sua exibição prevista para breve no Canal Brasil. Abçs — Alfredo Bertini

 

 

ORQUESTRA CIDADÃ, O FILME

POR ALFREDO BERTINI

 

Cara Rô

 

                          Uma surpresa para mim – e certamente, para Zelito e equipe – que houvesse da parte de algum(ns) esse sentimento de que tenha ocorrido uma dublagem, uma “enganação”. Acho que temos todos (produção e direção) uma certa dose de credibilidade para não se operar com artimanhas, que levassem a interpretações intempestivas sobre “fraudes” ou “engodos”. Seria até um absurdo imaginarmos isso perante o rigor didático dos maestros (o falecido e o regente atual), bem como, o acompanhamento permanente que tivemos de um Desembargador e um Juiz, justamente os responsáveis pela condução do projeto. Essas crianças e adolescentes são mesmo “fora de série”. Essa é que é a realidade!

                   Na verdade, trabalhamos por 4 ou 5 dias, em dezembro passado (quase em cima do Natal), para produzirmos esse concerto do filme, algo comum já no cotidiano dessas crianças, acostumadas a outros tantos concertos. Tudo feito com muito esmero, desde o trabalho desenvolvido pelo Maestro Lanfanco Marceletti, até mesmo a preocupação de buscarmos o Zé Luiz Gato, um técnico de som inteiramente acostumado com o trabalho de captar e mixar para grandes Orquestras. Ele sempre foi, por exemplo, o técnico preferido de John Neschiling, enquanto esteve à frente da OSESP. Portanto, tudo feito com a intenção de extrair o que fosse melhor dessas crianças.

                De fato, com o apoio que Zelito recebeu no Rio do Maestro Edino Krieger, foram selecionadas 4 peças do concerto, que contou com umas 8 ou 10, na apresentação. Foram escolhidas, então, as melhores, deixando-se de lado algumas que não se apresentaram com o nível de satisfação desejado pelo consultor Krieger.

                   Essa é a história. Mas, tudo isso, só corrobora que o esforço de produção foi adequado, para que pudéssemos ter um bel resultado do concerto, dele se extraindo um som comovente.

Abraços – Alfredo Bertini

 

 

 ORQUESTRA CIDADÃ, O FILME

— Resposta do produtor Alfredo Bertini

 

Prezada Rô

                                      Ratifico aqui as palavras do nosso querido Diretor Zelito Viana. Lembro que o saudoso maestro Cussy de Almeida dizia que “essas crianças extraem o som de suas cordas de caixas de sapato”. Além do extraordinário trabalho de captação e mixagem do som feito por Zé Luiz Gato (aqui copiado), vale destacar o próprio desejo de Zelito, que intencionou fazer um som de qualidade para o propósito maior do documentário – o concerto da orquestra para seus familiares. Grato pelas palavras. Abraços – Alfredo Bertini

 

ORQUESTRA CIDADÃ, O FILME

— Resposta de ZELITO VIANA

 

Querida Ro : Acho que uma observação como essa tem que ser encarada como um tremendo elogio. Todos nós ficamos impressionados com o som extraido por estes meninos com instrumentos de procedência chinesa e que custam 250 reais. Imagina o que seria se tivessem instrumentos de verdade. 
            Eu chamei aqui em casa o Maestro Edino Krieger para ver o filme pois queria começar uma campanha para angariar fundos para a compra de instrumentos de boa procedencia. O Edino quando ouviu o “Brandenburgo” disse: Zelito, esquece a campanha pois quem ouvir este som não vai ajudar a trocar instrumentos nenhum.
Grande beijo. Zelito (Viana)

 

             DUAS PRODUÇÕES DA TV BRASIL –  Dois filmes selecionados em editais da TV Brasil foram premiados pela décima-sexta edição do Cine PE — Dos 33 prêmios disputados no 16º Cine PE- Festival do Audiovisual,  seis foram conquistados por filmes coproduzidos pela EBC/TV Brasil. O documentário Estradeiros, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro, recebeu o Prêmio Abraccine (Associação Brasileiros de Críticos de Cinema) – Prêmio da Crítica. Realizado por meio do Edital Longa-Doc, o filme já tinha conquistado o prêmio de Melhor Longa na Semana dos Realizadores, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2011. Estradeiros registra o estilo de vida dos que vivem livres no mundo, nômades no sub-continente da América Latina. Um road movie que passa por Peru, Buenos Aires, São Tomé das Letras, Recife e São Paulo. O Festival ainda premiou o curta-metragem “L, de Thais Fujinaga, também coproduzido pela EBC por meio do Edital Curta-Criança. Numa disputa acirrada entre os curtas do Cine PE, o filme levou os trofeus Calungas de melhor direção, fotografia, direção de arte, atriz e Prêmio ABD/APECI. A obra já ganhou diversos prêmios, entre eles Menção Honrosa na mostra Generation, em Berlim. “L” também ganhou prêmios em Cuba, na Argentina e nos festivais de Goiânia, Tiradentes e São Paulo. O filme conta a história de uma menina, Teté, que odeia seus pés compridos. Quando um rapaz mostra interesse por ela, Teté deduz que ele também tem problemas com o seu corpo. Ambos decidem erradicar os seus defeitos através de medidas drásticas. As imagens expressivas do filme mostram as angústias interiores de uma garota tímida no limiar da puberdade. Ao assumir o compromisso de investir em editais de co-produção, a EBC demonstra disposição de fortalecer sua parceria com a produção independente e de apresentar ao seu público uma programação renovada e representativa da imensa diversidade cultural brasileira.

             (*)Mais dois outros filmes produzidos, recentemente, pela TV Brasil (um de Lúcia Murat: “Uma Longa Viagem”, e outro de Adirley Queirós – “A Cidade é Uma Só?”) foram premiados em Paulínia e Gramado (Lúcia) e em Tiradentes (Adirley).

       

SARACENI, NEY LATORRACA & O GERENTE —No recém-concluido CINE PE – Fest Recifolinda, Ney Latorraca falou muito de Saraceni, cineasta que o dirigiu em Anchieta, José do Brasil e no novíssimo “O Gerente”. Disse, inclusive, que este filme deve ser lançado em breve. Não precisou a data, nem a distribuidora. Além de contar deliciosas histórias sobre Saraceni, Ney quase matou os jornalistas de tanto rir numa coletiva muito louca. Mas, no meio do besteirol alucinado, o ator santista-paulistano-carioca disse muito coisa séria. Depois compilarei algumas delas…

 

PREMIO ALMANAQUE :

                  O prêmio Almanaque número 106 (Ano X), de abril de 2012,  vai para três cineastas que conseguiram colocar em seus filmes, nestes tempos de desesperanças e cinismos, um raio de sol de esperança. Diz-se que um dos produtores de Fellini, ao ver mais um de seus filmes prontos, perguntava: “mas não há espaço para um “raíto de sol” para o espectador?” Em “As Neves do Kilimandjaro”, que Robert Guediaguian realizou a partir de Victor Hugo, em “O Porto”, do finlandês Aki Kaurismaki, e em “O Garoto da Bicicleta“, dos irmãos (belgas) Dardenne, há um “raíto de sol”, uma esperança humanista, que nada tem de banal, de concessão ao gosto do público. O estado de espírito que parece — neste momento de utopias findas — dominar o ânimo criativo dos quatro cineastas, quer nos dizer que há, sim, razão para acreditarmos num mundo de fraternidade.

 

 

PREMIO ALMANAQUE:

     O prêmio Almanaque número 105 (Ano X), deste mês de março de 2012, vai para Pedro Urano, cineasta e diretor de fotografia dos mais inspirados. Comecei a prestar atenção no trabalho de Urano depois de assistir a “SuperBarroco”, belíssimo curta da pernambucana Renata Pinheiro. Juntos eles fizeram outro belo curta: “Praça Walt Disney” (ela na direção, em parceria com Sérgio Oliveira, ele na fotografia). Antes, fizera “Quimera”, de Eryk Rocha & Tunga, e “M.U.R.O.”, de Tião, outros dois belos curtas exibidos em festivais internacionais. O primeiro longa de Urano — “Estrada Real da Cachaça” é um documentário que parece nascido de encomenda. Nem por isto deixou de alcançar resultado  criativo e convulsivo, capaz de nos arremessar em um mundo de sensações e informações de imensa riqueza. O filme sagrou-se vencedor do Festival do Rio (categoria longa documental). Outro prêmio (do Juri dos Críticos) consagrou seu segundo longa (na Mostra de Tiradentes 2012), o documentário “HU”, realizado em parceria com Joana Traub Cseko. O projeto, nascido como um docTV, da SAv-MinC, começa como documentário de observação, depois parte para entrevistas, até finalizar-se com imagens das mais impactantes (a implosão da “perna seca” do Hospital Universitário da UFRJ, monumental construção em forma de “pi”). Urano é, pois, um diretor e fotógrafo que merece todas as nossas atenções. São dele, também, as fotografias de “Ensaio de Cinema (curta de Allan Ribeiro), “Terras” (longa de Maya Da-rin), “Diário de Sintra” (longa de Paula Gaitán), “Tudo Isto me Parece um Sonho” (longa de Geraldo sarno) e “Vou Rifar Meu Coração” (de Ana Ripper).

 

 

PREMIO ALMANAQUE:

                  O Prêmio Almanaque número 103, de janeiro de 2012 (Ano X), vai para o programa “Espelho”, de Lázaro Ramos, dedicado ao livro “Um Defeito de Cor” e à sua autora, Ana Maria Gonçalves, apresentado no Canal Brasil. Já tinha recebido de Paulo Betti várias recomendações para que lesse o livro, que ele lera com imenso entusiasmo. Um livraço de 952 páginas (que, finalmente, li neste verão de 2012). Graças ao trabalho de Lázaro Ramos, grande ator e cidadão, um entrevistador especialíssimo pude conhecer também algumas das ideias da autora. Lázaro iniciou a entrevista dizendo a Ana Maria que ia fazer o que não costumava fazer com seus entrevistados: confessar-se fã dela. E leitor apaixonado de “Um Defeito de Cor”.O que se seguiu foi uma conversa densa, bem informada, amorosa. De ambas as partes. E metalinguística sem exibicionismo. Em determinado momento, Ana Maria Gonçalves afirmou que certa personagem (Kehinde/Luíza) do livro era ficcional. Lázaro foi pego de surpresa. Lera o livro como se ela (a personagem) fosse de carne e osso, de História (com H) profundamente vivenciada. Lázaro então — brincando — externou seu desapontamento e disse que ia tirar aquele trecho da edição final. Não tirou, claro. E a conversa seguiu cativante. No plano da linguagem, o programa de Lázaro é dinâmico, usa recursos gráficos sem ser abusivo, faz belos enquadramentos. O recurso dos espelhos (não foi o caso no programa de Ana Maria Gonçalves) dá ótimos resultados ao programa (confesso que não vi mais que umas 10 ou 15 edições dele). Por causa das correrias da vida. Vi alguns dos primeiros, e um, em especial, que me apaixonou: com muito bom humor, Lázaro entrevistava cabeleireiras baianas, destas que criam os mais incríveis penteados em cabelos black. O programa teve resultado maravilhoso, de alto astral. Um encanto. Já naquele programa (que foi ao ar há uns 4 ou 5 anos), Lázaro e seu ESPELHO já mereciam o Prêmio Almanaque. Que chega agora!

 

 

PREMIO ALMANAQUE

               O Prêmio Almanaque número 102 (Ano IX), deste mês de dezembro de 2011, vai para o programa “Samba na Gamboa”, comandado por Diogo Nogueira e dirigido por Belisário Franca, já em terceira temporada. Em especial para o programa exibido em 29 de dezembro e dedicado, por inteiro ao centenário de Nelson Cavaquinho. Beth Carvalho e Hamilton do Bandolim, junto com Diogo, prestaram magnífico tributo ao criador de “Juízo Final”. Entrevistas (conversas) curtas e consistentes e muita música de altíssima qualidade compuseram um programa imperdível. Na última terça-feira (06-12-11), o programa reuniu uma cantora fantástica (Luíza Dionízio) a Leandro Sapucaí para, ao lado de Diogo Nogueira, promover mais um bom (e musical) fim de noite (o programa vai ao ar, na TV Brasil, às 23h00). Outro destaque na história do programa homenageou o samba da Bahia, com Maricene Costa & Edil Pacheco. Este prêmio homenageia, também, a TV Brasil por outra de suas mais bem sucedidas iniciativas: a exibição de filmes ibero-americanos. A sessão Cine Ibermedia (todo domingo, 23h00, com reprise nas sextas-feiras, 23h30) vem mostrando raros filmes de Espanha, Portugal e América Latina. O momento máximo do evento acontece justo nesta semana, com a exibição de “Frida, Naturaleza Viva”, do mexicano Paul Leduc. Um dos maiores filmes da história do cinema latino-americano.

 

 

 

 

 

 

 

 

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tvbrasil.org.br

 

 

Premiados Cine PE

 

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: À Beira do Caminho (Diretor: Breno Silveira)
Melhor Diretor: Flávio Frederico ( Boca)
Melhor Roteiro: Patrícia Andrade (À Beira do Caminho)
Melhor Fotografia: Lula Carvalho (Paraísos Artificiais)
Melhor Edição de Som: Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima e Armando Torres Jr. (Paraísos Artificiais)
Melhor Montagem: Quito Ribeiro (Paraísos Artificiais)
Melhor Trilha: Bid (Boca)
Melhor Direção de Arte: Alberto Grimaldi (Boca)
Melhor Ator Coadjuvante: Vinícius Nascimento (À Beira do Caminho)
Melhor Atriz Coadjuvante: Divina Brandão (Paraísos Artificiais)
Melhor Ator: João Miguel (À Beira do Caminho)
Melhor Atriz: Hermila Guedes (Boca)

Prêmio Especial do Júri Oficial: Ao compositor e músico Jorge Mautner
Prêmio Especial da Crítica: Estradeiros
Prêmio Gilberto Freyre: À Beira do Caminho
Prêmio do Júri Popular: À Beira do Caminho
Prêmio Federação Pernambucana de Cineclubes: Na Quadrada das Águas Perdidas

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS

Melhor Filme: Até à Vista (Diretor: Jorge Furtado)
Melhor Diretor: Thais Fujinaga (Filme: L)
Melhor Roteiro: Jorge Furtado (Até à Vista)
Melhor Fotografia: André Luiz de Luiz (Filme: L)
Melhor Montagem: Bruno Bini (Depois da Queda)
Melhor Edição de Som: Pablo Lamar (Dia Estrelado)
Melhor Trilha: Everton Rodrigues (Até à Vista)
Melhor Diretor de Arte: Amanda Ferreira (Filme: L)
Melhor Ator: Felipe de Paula (Até à Vista)
Melhor Atriz: Sofia Ferreira (Filme: L)

Prêmio Especial do Júri: A Fábrica (Diretor: Aly Muritiba)
Prêmio Especial da Crítica: Isso não é o Fim (Diretor: João Gabriel)
Prêmio do Júri Popular: Depois da Queda (Diretor: Bruno Bini)
Prêmio Aquisiçao do Canal Brasil: Di Melo-O Imorrível (Diretores: Alan Oliveira e Rubens Pássaro)
Prêmio ABD-APECI: Na sua Companhia, de Marcelo Caetano, e L, de Thais Fujinaga
Prêmio Federação Pernambucana de Cineclubes: Qual Queijo você Quer?

MOSTRA DE CURTAS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme da Mostra Pernambuco: Poeta Urbano (Diretor: Antônio Carrilho)
*Por revelar as sinceras entranhas da poesia urbana

-2 menções honrosas para o filme Koster: ao ator Sérgio Menezes e ao diretor de Arte Dantas Suassuna (pela erudição da pesquisa e pela fantasia nas soluções).

-1 menção honrosa para Sandra Possani, atriz do filme Canção para Minha Irmã